Regresso de um breve período de férias e reencontro o velho país sempre em festa: depois da emocionante candidatura de Henrique Neto à Presidência, eis que ecoa pelos altifalantes do grande manicómio Portugal o nome de outro candidato não menos arrebatador: Sampaio da Nóvoa, que se diz admirador de Eanes, o que revela alguma esperteza. Para uma respeitável pessoa que ninguém conhece nada mais...
O trabalho é para se ir fazendo?
Temos, como se sabe, tendência para comer e calar. A relativa paz social dos últimos quatro anos de austeridade está aí para o confirmar. Nos hospitais, então, a dependência do acto médico – e por vezes a tolerância perante a delicadeza das situações, verdade se diga – leva essa passividade ao exagero. Mas, como tudo na vida, tem momentos em que não. Um amigo meu aguardava há quase duas horas –...
O eterno problema das urgências hospitalares
Em Agosto de 2001, seis repórteres do semanário Tal&Qual – Maria João Vieira, Antonieta Preto, Paula Silva, Catarina Vaz Guerreiro, Sónia Bento e Ângela Santana – deram entrada, à mesma hora, nos serviços de urgência de seis hospitais portugueses – em Lisboa (São José e São Francisco Xavier), Porto, Faro, Amadora-Sintra e Almada. Em época de férias, procuravam o inferno de sempre: a demora, a...
Paulo Sousa levou 4 e por acaso gostei
“O ego não é dono da sua própria casa” – Sigmund Freud, neurologista, 1856-1939 Quando se abriu a hipótese de vir a dirigir o Record, no final de 2002, a minha preocupação foi ter na equipa um director-adjunto que assumisse as relações com os agentes desportivos, para as quais sinto vocação zero. Tive a sorte de aliciar para o projecto o melhor jornalista nesse trabalho, e não só, o meu amigo...
Antes de um Adeus quase em inglês
“O tempo chega sempre, mas há casos em que não chega a tempo” – Camilo Castelo Branco A 7 de Março de 1974, Paulo Carvalho vencia, com Adeus – o E Depois só viria a seguir – de José Niza e José Calvário, o Festival RTP da Canção, contrariando a votação paralela de um famoso programa de rádio, o PBX, que dava o triunfo a No Dia em que o Rei Fez Anos, de José Cid. No mês seguinte, já em...
E todavia Simone existe
Com a participação no medíocre Festival da Canção, da RTP, Simone abriu a porta à crítica fácil, óbvia, quase consensual. O baronato das redes sociais, então, delirou. Não falamos de um Avô Cantigas, que reaparece todos os anos com a mala da voz modesta que lhe marca a carreira. A sua praia é divertir as crianças e isso ele faz, não precisa de perseguir mais nada. Ao contrário, Simone tem um nome...
A destruição da nossa economia era inevitável?
Não sou daqueles que fogem a enfrentar a realidade e se recusam a admitir que Portugal está melhor do que há quatro anos. Basta um facto que ninguém conseguiu refutar para reconhecer o milagre: em 2011, as reservas financeiras do Estado estavam no fim e Sócrates avançou para o resgate porque daí a dois ou três meses não haveria dinheiro para pagar salários e pensões. Pior seria impossível. E...
Alfredo Barroso, o irredutível
Nunca trabalhei com Alfredo Barroso e lamento, por isso, não ter acompanhado mais de perto o seu trajecto e a sua forte personalidade. Mas conheci-o em 1982 e recordo-me desse tempo com agrado. Quando se lançou o semanário Off-Side, em Outubro desse ano, a redacção ficou instalada no Dafundo, perto de Lisboa, nas instalações da cooperativa CEIG, fundada por figuras históricas do Partido...
A estupidez da taxa dos sacos de plástico
Em ano eleitoral de bota fora, e na tentativa de recuperar alguma base social de apoio, decidiu o Governo abolir os cortes nas pensões até 4.611 euros, que lesavam meio milhão de reformados. A medida obriga a gastar, em 2015, as centenas de milhões de euros que estavam a ser roubados desde 2011, e é compensada pela chamada fiscalidade verde que inclui, com o pretexto da preservação ambiental, a...
No tempo em que a RTP era puritana
“A grosseria só começa quando começa a delicadeza; e o impudor desde que o pudor exista” – Fernando Pessoa Há 28 anos, surgia nas bancas portuguesas a revista Élan, que veio agitar o conservadorismo editorial dos anos 80. Os seus defensores estavam longe de entender que a nova publicação, adiantada no tempo, constituía apenas um sinal do que estava para chegar: uma mudança de mentalidades que...
