Alexandre Pais

ArquivoMarço 2015

O trabalho é para se ir fazendo?

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Temos, como se sabe, tendência para comer e calar. A relativa paz social dos últimos quatro anos de austeridade está aí para o confirmar. Nos hospitais, então, a dependência do acto médico – e por vezes a tolerância perante a delicadeza das situações, verdade se diga – leva essa passividade ao exagero. Mas, como tudo na vida, tem momentos em que não. Um amigo meu aguardava há quase duas horas –...

O eterno problema das urgências hospitalares

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Em Agosto de 2001, seis repórteres do semanário Tal&Qual – Maria João Vieira, Antonieta Preto, Paula Silva, Catarina Vaz Guerreiro, Sónia Bento e Ângela Santana – deram entrada, à mesma hora, nos serviços de urgência de seis hospitais portugueses – em Lisboa (São José e São Francisco Xavier), Porto, Faro, Amadora-Sintra e Almada. Em época de férias, procuravam o inferno de sempre: a demora, a...

Drama e nostalgia em Belém

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Parece que só a desgraça une os belenenses. Sempre que o mau tempo se afasta e começa a cheirar a primavera, instala-se a divergência, a desunião e a inimizade. Onde houver dois adeptos da cruz ao peito, ouve-se a um dizer branco e logo o outro a garantir que é preto. Na última semana, a agitação foi grande e nas redes sociais instalou-se o drama: dos nostálgicos de Matateu, aos fatalistas que já...

Parabéns à CMTV: pelo 2.º aniversário e pelo resto

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O leitor compreenderá que não me refira habitualmente a programas ou figuras da CMTV. Faço-o hoje porque a estação entrou no terceiro ano de existência, conseguindo já, no universo Meo, colocar-se na frente nas audiências. É uma enorme proeza nos tempos que vivemos – difíceis também para os média e para a consolidação de novos desafios – e uma estrondosa vitória para o Octávio Ribeiro e para a...

Paulo Sousa levou 4 e por acaso gostei

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“O ego não é dono da sua própria casa” – Sigmund Freud, neurologista, 1856-1939 Quando se abriu a hipótese de vir a dirigir o Record, no final de 2002, a minha preocupação foi ter na equipa um director-adjunto que assumisse as relações com os agentes desportivos, para as quais sinto vocação zero. Tive a sorte de aliciar para o projecto o melhor jornalista nesse trabalho, e não só, o meu amigo...

Ole Einar Bjørndalen: e vão 56 medalhas!

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No Mundial de juniores de 1993, aos 19 anos, ganhou as três primeiras medalhas de ouro. Agora, nos Mundiais de Biatlo, na Finlândia, e já com 41 anos, o maior atleta da história das modalidades de inverno conquistou a sua 56.ª medalha em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. Foi de prata, obtida na prova de estafetas e deu uma pálida ideia da forma atual de Ole Einar Bjørndalen, que conseguiu...

Antes de um Adeus quase em inglês

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“O tempo chega sempre, mas há casos em que não chega a tempo” – Camilo Castelo Branco   A 7 de Março de 1974, Paulo Carvalho vencia, com Adeus – o E Depois só viria a seguir – de José Niza e José Calvário, o Festival RTP da Canção, contrariando a votação paralela de um famoso programa de rádio, o PBX, que dava o triunfo a No Dia em que o Rei Fez Anos, de José Cid. No mês seguinte, já em...

Jorge Jesus: um deus brasileiro

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Podíamos falar de Samaris e de Eliseu, como antes de Matic e Javi Garcia, ou apontar uma boa dezena de jogadores que ele valorizou e de que tanto beneficiaram já os cofres do Benfica. Não merece a pena, os méritos de Jorge Jesus são indesmentíveis, ainda que na hora em que as coisas não correm tão bem logo apareçam hienas e urubus a pôr em dúvida o treinador – e igualmente Deus e o divino...

O Festival da Canção e o anjo da morte

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A transmissão do Festival da Canção confirmou a falta de qualidade que se antevia. Canções medíocres, intérpretes medianos, produção franciscana e audiência modesta – inferior, por exemplo, à que consegue “O Preço Certo” – ficaram como marcas de um serão que já nem aos nossos avós agradaria. Em 50 anos, o Mundo mudou vezes sem conta e a conceção de espectáculo em que a RTP insiste tem a...

E todavia Simone existe

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Com a participação no medíocre Festival da Canção, da RTP, Simone abriu a porta à crítica fácil, óbvia, quase consensual. O baronato das redes sociais, então, delirou. Não falamos de um Avô Cantigas, que reaparece todos os anos com a mala da voz modesta que lhe marca a carreira. A sua praia é divertir as crianças e isso ele faz, não precisa de perseguir mais nada. Ao contrário, Simone tem um nome...

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