Temos, como se sabe, tendência para comer e calar. A relativa paz social dos últimos quatro anos de austeridade está aí para o confirmar. Nos hospitais, então, a dependência do acto médico – e por vezes a tolerância perante a delicadeza das situações, verdade se diga – leva essa passividade ao exagero. Mas, como tudo na vida, tem momentos em que não. Um amigo meu aguardava há quase duas horas –...
O eterno problema das urgências hospitalares
Em Agosto de 2001, seis repórteres do semanário Tal&Qual – Maria João Vieira, Antonieta Preto, Paula Silva, Catarina Vaz Guerreiro, Sónia Bento e Ângela Santana – deram entrada, à mesma hora, nos serviços de urgência de seis hospitais portugueses – em Lisboa (São José e São Francisco Xavier), Porto, Faro, Amadora-Sintra e Almada. Em época de férias, procuravam o inferno de sempre: a demora, a...
Drama e nostalgia em Belém
Parece que só a desgraça une os belenenses. Sempre que o mau tempo se afasta e começa a cheirar a primavera, instala-se a divergência, a desunião e a inimizade. Onde houver dois adeptos da cruz ao peito, ouve-se a um dizer branco e logo o outro a garantir que é preto. Na última semana, a agitação foi grande e nas redes sociais instalou-se o drama: dos nostálgicos de Matateu, aos fatalistas que já...
Parabéns à CMTV: pelo 2.º aniversário e pelo resto
O leitor compreenderá que não me refira habitualmente a programas ou figuras da CMTV. Faço-o hoje porque a estação entrou no terceiro ano de existência, conseguindo já, no universo Meo, colocar-se na frente nas audiências. É uma enorme proeza nos tempos que vivemos – difíceis também para os média e para a consolidação de novos desafios – e uma estrondosa vitória para o Octávio Ribeiro e para a...
Paulo Sousa levou 4 e por acaso gostei
“O ego não é dono da sua própria casa” – Sigmund Freud, neurologista, 1856-1939 Quando se abriu a hipótese de vir a dirigir o Record, no final de 2002, a minha preocupação foi ter na equipa um director-adjunto que assumisse as relações com os agentes desportivos, para as quais sinto vocação zero. Tive a sorte de aliciar para o projecto o melhor jornalista nesse trabalho, e não só, o meu amigo...
Ole Einar Bjørndalen: e vão 56 medalhas!
No Mundial de juniores de 1993, aos 19 anos, ganhou as três primeiras medalhas de ouro. Agora, nos Mundiais de Biatlo, na Finlândia, e já com 41 anos, o maior atleta da história das modalidades de inverno conquistou a sua 56.ª medalha em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. Foi de prata, obtida na prova de estafetas e deu uma pálida ideia da forma atual de Ole Einar Bjørndalen, que conseguiu...
Antes de um Adeus quase em inglês
“O tempo chega sempre, mas há casos em que não chega a tempo” – Camilo Castelo Branco A 7 de Março de 1974, Paulo Carvalho vencia, com Adeus – o E Depois só viria a seguir – de José Niza e José Calvário, o Festival RTP da Canção, contrariando a votação paralela de um famoso programa de rádio, o PBX, que dava o triunfo a No Dia em que o Rei Fez Anos, de José Cid. No mês seguinte, já em...
Jorge Jesus: um deus brasileiro
Podíamos falar de Samaris e de Eliseu, como antes de Matic e Javi Garcia, ou apontar uma boa dezena de jogadores que ele valorizou e de que tanto beneficiaram já os cofres do Benfica. Não merece a pena, os méritos de Jorge Jesus são indesmentíveis, ainda que na hora em que as coisas não correm tão bem logo apareçam hienas e urubus a pôr em dúvida o treinador – e igualmente Deus e o divino...
O Festival da Canção e o anjo da morte
A transmissão do Festival da Canção confirmou a falta de qualidade que se antevia. Canções medíocres, intérpretes medianos, produção franciscana e audiência modesta – inferior, por exemplo, à que consegue “O Preço Certo” – ficaram como marcas de um serão que já nem aos nossos avós agradaria. Em 50 anos, o Mundo mudou vezes sem conta e a conceção de espectáculo em que a RTP insiste tem a...
E todavia Simone existe
Com a participação no medíocre Festival da Canção, da RTP, Simone abriu a porta à crítica fácil, óbvia, quase consensual. O baronato das redes sociais, então, delirou. Não falamos de um Avô Cantigas, que reaparece todos os anos com a mala da voz modesta que lhe marca a carreira. A sua praia é divertir as crianças e isso ele faz, não precisa de perseguir mais nada. Ao contrário, Simone tem um nome...
