Os problemas das empresas, com mais ou menos crise, começam quase sempre em deficiências na organização e na falta de regras. Como estou convencido de que assim é, tornei-me um bocado fundamentalista e reconheço ter cometido exageros na parte que me toca. É que nas redações a natureza dos profissionais revela tendências de algum descontrolo, tanto nas horas de entrada ou no palavreado, como na...
Reflexões de inverno – 4
1. Admiro a coragem da exposição mediática de Manuel Forjaz, até por ser incapaz de lhe tomar o exemplo. Sofro de cancro por interposta pessoa – sim, é bem verdade que quando alguém da nossa família é atingido, todos temos cancro – e o que menos sinto vontade é de falar da cobarde e tenebrosa criatura. Valorizo muito, por isso, quem dá testemunho do combate e incentiva outras vítimas a não...
Reflexões de inverno – 3
1. O autor luso-moçambicano Rui Vilhena foi bem sucedido em Portugal, a trabalhar para a TVI e para a RTP, mas já está no Brasil a escrever uma telenovela, dados os condicionalismos do mercado nacional, como se dá conta nesta edição da SÁBADO. Problema semelhante é o de Fernando Tordo, que aos 65 anos prepara as malas para rumar ao país-irmão a fim de poder continuar a ganhar a vida. Diz que por...
Ole Einar Bjørndalen
Quando Lance Armstrong reconheceu ter ganho sete Voltas a França em bicicleta dopado, senti a maior desilusão da minha vida de desportista e adepto do desporto. O ciclista norte-americano voltaria ao local do crime, aos 38 anos, já depois de se ter retirado uma vez, para uma oitava tentativa que terminou com um mesmo assim extraordinário terceiro lugar individual e primeiro por equipas. Terá...
Reflexões de inverno – 2
1. Prossegue o estrondoso sucesso das rescisões de contratos de trabalho na RTP, com mais 220 indemnizações pagas em 2013. Já não sei quantas vezes, nas últimas décadas, se emagreceu o quadro de pessoal da estação pública sem que se vejam resultados efetivos dessa política. E sobre os critérios que levam a decidir quem faz falta e quem está a mais… hum, desconfio muito. 2. Não sei bem se...
Ainda andamos por aí, Goucha
Se há coisa que um jornalista, que foi obrigado pelas circunstâncias a tocar vários instrumentos profissionais, não deve fazer é viajar demasiado pelo passado. Uns simples 20 anos atrás ousam revelar-nos prosas medonhas, em especial aquelas que somos capazes de jurar jamais ter escrito. Aconteceu-me isso agora, ao recuar à década de 90 para descobrir textos que assinei sobre Manuel Luís Goucha...
Reflexões de inverno
1. O que posso escrever sobre os basejumpers? Eu, que pratiquei as atividades mais radicais da época da minha infância, andar de patins com rodas e de bicicleta, e que várias vezes me decorei com umas boas doses de mercurocromo? Eu, que só de ver no Facebook o vídeo de uma das minhas filhas a descer em pára-quedas ia morrendo? Ná, prefiro a lareira acesa, confesso. 2. Não me lembro de um inverno...
O ódio absurdo de Cristiano Ronaldo
Por ínvios caminhos, os lóbis, com o de Jorge Mendes à cabeça, os interesses comerciais e a FIFA elegeram justamente Cristiano Ronaldo melhor jogador do Mundo. Foi a segunda vez que o sucessor de Eusébio – mais no génio futebolístico do que, para já, no coração dos portugueses – conquistou a Bola de Ouro, depois de quatro triunfos consecutivos de Messi, que também não deixavam adivinhar outra...
Eusébio, o rei amargurado
Era um homem magoado e não vale a pena, na hora do seu desaparecimento físico, dourar a parte pior. Recordo situações várias, ao longo particularmente dos últimos anos, em que simples tentativas para lhe obter uma declaração esbarravam em frases do tipo há dinheiro para tudo, só para o Eusébio é que não. E não fosse a arte do seu amigo João Malheiro para o amaciar e o trabalho dos jornalistas...
O milagre está na mesa
O jornalista com quem trabalhei e que vi ser mais maltratado pelo diretor à frente de todos era, curiosamente, chefe de redação. “És uma anedota, Joaquim. Este jornal está uma m…, andas aos papéis e não mandas nada. Já te expliquei como é mas deves ser tão burro que não percebes”. Joaquim (nome fictício) baixava o olhar e abanava a cabeça em sinal de concordância. Um dia, perguntei-lhe como...
