Alexandre Pais

TagSábado

Maria Luís sofre

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O cheiro das eleições toldou-os cedo. O éter das cedências tomou conta do Executivo, que ficou inebriado pelas promessas da oposição, pelo menos da que corre para governar. Com o seu apurado sexto sentido, Paulo Portas mandou Ribeiro e Castro na frente, lançar foguetes nas comemorações do 1.º de Dezembro, e apanhou depois as canas da patriótica cruzada: o CDS vai propor a reposição do feriado...

Um cartoon ameaçador no rescaldo do 25 de Novembro

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Há 39 anos, os dias seguintes ao 25 de Novembro expuseram as divisões que se cavaram na sociedade portuguesa. Como sucedera em Abril de 1974, e também na RTP, o controlo da Emissora Nacional, onde eu trabalhava, havia sido um dos objectivos dos revoltosos. Mas enquanto no Lumiar, um futuro assessor de comunicação do primeiro-ministro (!) – em Portugal o crime sempre compensa – ocupava os estúdios...

O sábado terrível que nos matou

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“Palavras para quê? Somos portugueses e estamos a conquistar outra vez os mundos… Forte abraço desde aqui, volto em breve…” – mensagem de André Romeiras, em email para a redacção, na véspera do acidente Fui workaholic e obstinado, fiz viagens a Marte, tenho ascendência provinciana, uma costela espartana e algumas manias. A luta pela sobrevivência tornou-me amargo e desconfiado nas...

A tripla condenação de Sócrates

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O modo como se deu a detenção de José Sócrates constituiu uma primeira condenação. Mesmo que não venha sequer a ser acusado, da fama de criminoso já o ex-primeiro-ministro não se livra. As habituais fugas de informação e o julgamento na praça pública, iniciado logo na madrugada de sábado, de um homem que semeou ventos e suscitou ódios não deixam margem de manobra: politicamente, se estava ferido...

Miguel Macedo há 23 anos: da promessa à realidade

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Miguel Macedo foi, em Março de 1991, um dos 12 entrevistados da edição de lançamento da revista Tomorrow, que como o nome indica procurava identificar e promover os profissionais do futuro em Portugal. Tinha 31 anos, era secretário de Estado da Juventude do governo de Cavaco Silva e recebeu Nuno Rogeiro – hoje colunista da SÁBADO, como o Mundo é pequeno… – para uma conversa em que os temas...

Anthímio de Azevedo: partiu um professor e um gentleman

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Não era apenas o homem do tempo, mas um homem do seu tempo, um professor e um gentleman. Mas Anthímio de Azevedo, que nos deixou esta semana, foi essencialmente um comunicador, o primeiro meteorologista que nos fez ter vontade de saber se amanhã chove ou há sol. Tive o privilégio de trabalhar com ele, em 1998, na fase de pré-lançamento do 24 Horas, quando a expectativa pelo projecto levava o...

Fernando Vale: o doutor que Coimbra esqueceu

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“O Dr. Fernando Vale é uma encarnação moderna do português de antanho que em cada terra era um símbolo” – Miguel Torga Nascido em Cerdeira, apaixonado por Coja e pelas margens do Alva, Fernando Vale tem na Biblioteca Miguel Torga, e nas ruas do concelho de Arganil, o nome perpetuado. O seu exemplo de cidadão militante – como médico e João Semana, democrata, idealista e autoridade moral –...

Xanana destruiu o próprio mito

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Portugal fez por Timor o que não quis ou não pôde fazer pelas outras colónias: defendeu a liberdade contra o colonialismo. Mas como a justiça não se agradece, nada nos devem os timorenses, sendo o seu governo soberano para tomar as decisões que entender. Através das Nações Unidas, Timor recorreu à cooperação de países amigos, como Portugal ou Cabo Verde, para formar magistrados e compensar o...

Joaquim Letria: lenda da informação regressa à TV

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“Quando a lenda é mais interessante que a realidade, imprima-se a lenda” – John Ford, cineasta norte-americano (também ele lendário) Quando cheguei ao Diário de Lisboa, em Fevereiro de 1972, na redacção via-se ainda a impressão digital de Joaquim Letria, que trocara o Bairro Alto por Londres, para trabalhar na BBC – o que só intensificava a aura da estrela que partira. Conheci-o depois, numa das...

A derrota do mérito

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A sociedade portuguesa vive enredada nos seus pequenos ódios e sente cada vez mais dificuldade em reconhecer qualidades e punir deméritos. Aplaude-se com maior entusiasmo uma criatura que tenha passado pela televisão – em especial se lá fez tristes figuras – do que profissionais qualificados que dedicaram as suas vidas a servir o público e o País. Há dias, Tony Ramos – soberbo na pele de Getúlio...

Alexandre Pais

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