Em Julho de 1974, na sequência do decreto-lei 277/74, fui um dos vinte trabalhadores eleitos para a Comissão de Saneamento e Reclassificação da Emissora Nacional, a rádio oficial. Sem formação jurídica, armados em instrutores e com uma legislação que se limitava a apontar generalidades, cedo compreendemos que a montanha iria parir um rato. Apesar de muito divididos politicamente, encontrámos um...
Abel Dias: o último cronista do social
Chegava carregado de sacos. Despejava tudo em cima da secretária e convocava a redação para a catarse. Escolhia, entre dezenas ou centenas, as fotos para a edição da semana e metia-se à escrita. Tempo depois, nova chamada, então para que Abel Dias lesse em primeira mão a crónica interminável que alguém teria a seguir de conter dentro dos limites. Nunca encontrei um profissional assim, que...
Rui Tovar: o adeus de um dos maiores
Com Alves dos Santos, Artur Agostinho e Neves de Sousa, Rui Tovar fazia parte da restrita ordem dos meus especialistas preferidos na análise do futebol e integrava, com Ribeiro Cristóvão e com a geração de ouro de A Bola – Santos, Miranda, Pinhão, Farinha e Homero – o top 10 do jornalismo desportivo do meu tempo ou de gerações anteriores. Tive o privilégio de trabalhar com ele há 32 anos, no...
O dia triste de julho em que fechou o “diário do PS”
A 9 de abril de 1982, recebi um convite para jantar. Num restau-rante do Bairro Alto, o diretor do “Portugal Hoje”, João Gomes – que dirigira o “Diário de Notícias”, de 1976 a 1978, e que viria a ser provedor da Santa Casa da Misericórdia – desafiou-me para ser chefe da redacção. Eu já tinha uma carreira de chefia e o “PH”, fundado em 1979, não parara de...
O dia triste de julho em que fechou o "diário do PS"
A 9 de abril de 1982, recebi um convite para jantar. Num restau-rante do Bairro Alto, o diretor do “Portugal Hoje”, João Gomes – que dirigira o “Diário de Notícias”, de 1976 a 1978, e que viria a ser provedor da Santa Casa da Misericórdia – desafiou-me para ser chefe da redacção. Eu já tinha uma carreira de chefia e o “PH”, fundado em 1979, não parara de...
O equívoco fatal do “24horas”
Em Dezembro de 1997, o criador do projecto do 24 Horas, José Rocha Vieira, nomeou-me chefe de redacção do novo diário. Nas instalações do Marquês de Pombal, no edifício adquirido pelos suíços da Edipresse, havia só duas secretárias na imensa alcatifa azul: a minha e a do José Carlos Rodrigues. Mas depressa o espaço se encheu. Vindos do Diário de Notícias ou da Nova Gente, da Capital ou do...
O equívoco fatal do "24horas"
Em Dezembro de 1997, o criador do projecto do 24 Horas, José Rocha Vieira, nomeou-me chefe de redacção do novo diário. Nas instalações do Marquês de Pombal, no edifício adquirido pelos suíços da Edipresse, havia só duas secretárias na imensa alcatifa azul: a minha e a do José Carlos Rodrigues. Mas depressa o espaço se encheu. Vindos do Diário de Notícias ou da Nova Gente, da Capital ou do...
Jorge Sampaio: o primeiro-ministro que não tivemos
Aos 8 anos, frequentou uma escola primária nos Estados Unidos, aos 12, em Londres, foi sozinho ver a Câmara dos Comuns e assistir aos debates. Começou dessa forma a criação do mundo político de Jorge Sampaio, cuja carreira dispensa palavras. O que quero referir é a semelhança do seu percurso com o de António Costa, como ele presidente da autarquia alfacinha e que parecia ter – de acordo com as...
A primeira grande cisão no PS
Desgraçadamente adequada aos nossos dias, a frase é do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade: “Que século, meu Deus! – exclamaram os ratos. E começaram a roer o edifício” A primeira grande cisão no PS A acção contra-revolucionária de 28 de Setembro de 1974, que opôs militares conservadores aos puristas do 25 de Abril e levou à demissão do Presidente António de Spínola, dividiu igualmente a...
"Alcance": o equívoco e a canção
No final de 1973, o empresário Alencastre Telo, autor de canções populares e proprietário da Tipografia Lisbonense, situada na Rua do Passadiço, em Lisboa, decidiu editar uma revista mensal “para promover os artistas portugueses”. Escolheu para directora M. E. Carvalhal Soares e esta convidou Sena Santos, então em A Capital, para formar a redação. O jornalista teve a infeliz ideia de me chamar –...
