Se há sectores sem capacidade para mudar o que seja de 31 para 1 – ao contrário, por exemplo, das gasolineiras – é a comunicação social. Por haver menos gente a trabalhar ou por falta de assunto, o certo é que os dois ou três primeiros dias do ano são de pasmaceira total, a que sempre se associa o sr. Presidente da República e a sua conhecida inaptidão para nos suscitar emoções. Das reportagens...
Menos asneiras para 2015
A necessidade de chocar para ter audiências é uma mancha nebulosa que se iniciou nos “reality shows” e foi alastrando a outras áreas do fenómeno televisivo até atingir a informação, que mistura desgraças de todos os tipos com as notícias propriamente ditas. A realidade é o que é, só o que me aflige é a deturpação dos factos em nome da especulação. No dia de Natal, a operação da GNR nas estradas...
A patética nudez de Lima e Monteiro
Não é novo: a televisão é mortal. O mal é deixarmo-nos embalar pela exposição dos bons momentos, que são poucos e passam depressa, porque se o fizermos é certo que ficaremos nus na praça pública – a expressão nunca foi tão verdadeira – quando menos gostaríamos que nos vissem em desgraça. O ministro Pires de Lima peca pela mania da excentricidade. E foi meter-se, com aparato mediático, na guerra...
Os gestores da RTP e os professores doutores
Os últimos tempos têm sido esclarecedores quanto à necessidade de supervisão, pelo que o facto de a RTP prestar contas ao Conselho Geral Independente é, por isso, um factor positivo. Porque no que respeita à suposta desgovernamentalização estamos esclarecidos: o Executivo indica dois elementos e o Conselho de Opinião nomeia outros dois, sendo naturalmente um, pelo menos, da cor dos partidos da...
Marcelo, o professor incómodo
A rapariga, na ingenuidade dos 16 anos, foi assistir a uma sessão do Parlamento e sentiu-se chocada ao descobrir que havia deputados que estavam mais interessados nos vídeos de situações caricatas e nas fotos de “mulheres avantajadas”, por certo pouco vestidas, que viam nos seus computadores, do que nos trabalhos do plenário. A mãe da adolescente protestou, em carta à presidente da AR, e Marcelo...
O improviso, a violação e o interesse público
A “bomba” da detenção de Sócrates depressa se tornou em onda de choque que atingiu os repórteres, obrigados a “cavar” os desenvolvimentos. Foi assim que ouvimos falar em carros “descaracterizados” – como se houvesse o hábito de utilizar viaturas “caracterizadas” nessas operações – e outros dislates, que foram do arguido a “consultar os volumes do processo” até “ao mínimo de três meses” atribuído...
RTP: a menina rica
A SIC voltou a não ir a concurso e a TVI, feitas as contas ao retorno financeiro, viu que não podia esticar-se. Os números só não assustaram a menina rica da televisão, a RTP, que terá acenado à UEFA com 18 milhões para garantir os direitos de transmissão dos jogos da Champions em 2015/16. E como as previsões de faturação de publicidade, na TV e nos meios em geral, são altamente encorajantes –...
Escapará Francisco George à limpeza bacteriana de 2015?
A palavra é esdrúxula e o “a” fechado (www.ciberduvidas.com) mas alguns pretensiosos bem-falantes preferem dizer “bÁctéria”. Tem sido um fartote por estes dias, com os telejornais a dedicarem os primeiros vinte e tal minutos à doença do legionário, recorrendo em doses aterradoras à “vox populi”, que nos tem presenteado com o habitual menu de enormidades. Como aquela senhora cujo marido estava...
A aderência televisiva (e não só) à asneira
Há dois anos, a direção do Record identificou jovens repórteres para formar a equipa da Hora Record, da CMTV – e que se mantém ainda, com pequenas alterações – e teve uma preocupação principal: a de escolher profissionais capazes de se dirigir diretamente ao telespectador, ou seja, a de encontrar jornalistas em início de carreira que dispensassem a edição dos seus textos. Se no papel surgem...
Sandra B: uma atriz fora do circo
Parei no “Querido mudei a casa”, agora na TVI, como fã que sou do bom gosto de Ana Antunes, da técnica insuperável dos “construtores” e do sentido positivo perante a vida, do apresentador Gustavo Santos. Confesso que sinto saudades do velho “Querido” – e de um excelente grupo de decoradores – e do toque de uma jovialidade sem idade que a presença pontual de Sofia Carvalho dava ao programa, mas...
