Alexandre Pais

Isaltino Morais e a minha mãe

I

Em janeiro de 1986, Isaltino Morais tomou-se presidente da Câmara Municipal de Oeiras. E a minha mãe, que havia atrasado um ano a reforma para tentar deixar o Centro de Saúde a funcionar em pleno, respirou de alívio. Ela era a responsável administrativa pela instalação daquela unidade, inaugurada pouco tempo antes e que estava aberta 24 horas – um avanço extraordinário para a época. E foi Isaltino quem desbloqueou diversas situações de impasse que prometiam eternizar-se.

A minha mãe aposentou-se ainda no final de 1986 e tornou-se numa admiradora fiel e grata de Isaltino, tão grata que se zangou comigo por eu não a ter levado para votar no seu ‘amigo’ – como fizera, sem uma falha, durante três décadas – nas autárquicas de 2020. Mas não podia ser: ela tinha já 100 anos e não era capaz de descobrir, sozinha, o quadrado certo para pôr a cruzinha.

Recordei com emoção esses momentos, agora que o edil de Oeiras propôs ao Governo que passe a ser a Câmara a gerir o Centro de Saúde, que deixou, entretanto, de ser o que era. Talvez Isaltino não o consiga, mesmo sendo ele – os lóbis odeiam mudanças.

Antena paranoica, Correio da Manhã e cm.pt em 16maio2026

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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