Alexandre Pais

De Pepe a Ronnie O'Sullivan

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Duas horas, um minuto e 39 segundos é o novo melhor tempo da maratona, conseguido ontem, em Berlim, pelo queniano Eliud Kipchoge, que retirou ao anterior máximo um minuto e 18 segundos. Eis uma bela oportunidade para recuar 33 anos e lembrar Carlos Lopes, então campeão e recordista olímpico – e campeão do Mundo de corta-mato – que em Roterdão, a 20 de abril de 1985, bateu também o recorde mundial da maratona.
O início da glória olímpica e global no atletismo português, desafortunadamente afastada hoje das provas de fundo e meio fundo em que o país não investiu por falta de visão, parece nos dias que correm como coisa corriqueira de que só os mais velhos guardam memória – e tão difícil foi!
Convenhamos que o nosso futebol, que se supunha satisfeito com as conquistas europeias do Benfica e com a gesta dos Magriços, nos idos de 60, deu nas últimas décadas um salto de qualidade monstruoso, com sucessos das seleções nos diversos níveis e com o alfobre das academias a fazer despontar talentos atrás de talentos. Olhamos para Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, Bruma, André Silva, Rúben Neves, Gelson Martins, Rúben Dias e muitos outros, espalhados por vários campeonatos, e damos por adquirido não só o reconhecimento internacional da qualidade portuguesa na área desportiva, como os muitos anos de alegrias esperam por nós. A juntar às que vivemos este fim de semana, por exemplo.
E se ontem foi o dia do despertar do instinto goleador de Cristiano Ronaldo, com um duplo êxito que salvou a Juventus, no sábado desfrutara-se já dos novos elogios de Guardiola a Bernardo Silva e de mais um momento fantástico de Pepe e Ricardo Quaresma, a abrir o marcador para o Besiktas: canto teleguiado do homem da trivela para a cabeçada vitoriosa do luso-brasileiro, que de imediato viu todo o estádio a aplaudi-lo de pé.
É o início de época mais profícuo de Pepe, que a caminho dos 36 anos se mantém na plenitude das suas capacidades. Acaba de ser distinguido como o melhor defesa da liga turca na temporada finda e, ainda em setembro, soma já seis (!) golos – cinco pelo Besiktas, em nove jogos (quatro de qualificação para a Liga Europa), e um pela Seleção, na partida em que atingiu as 100 internacionalizações. Haver Pepe é um luxo. E um orgulho para os adeptos portugueses.
Depois de evocar o extraordinário Carlos Lopes, termino como comecei, longe do futebol, dedicando o último parágrafo a outra lenda, esta do snooker. Refiro-me ao inglês Ronald Antonio O’Sullivan, mais conhecido por Ronnie O’Sullivan ou “The Rocket”, que ontem, aos 42 anos e em mais uma final épica, arrebatou os 225 mil euros de prémio do vencedor do Shangai Masters, torneio que conquistara já em 2009 e 2017. Pentacampeão mundial e ex-número um do ranking, Ronnie é para mim o melhor de sempre no snooker: pelo conjunto dos resultados obtidos, por ser o primeiro jogador da modalidade a chegar aos 10 milhões de libras em prémios e pelo génio, até agora insuperável, com que sai das situações de jogo mais complexas, com tacadas inacessíveis ao comum dos mortais. Viver a fase de ouro de Cristiano e Messi, desfrutar da rivalidade de Federer com Nadal e Djokovic, e ver Ronnie O’Sullivan limpar a mesa acima dos 100 pontos (ou dos 140!): que mais poderia eu desejar? Desportivamente, nada.
Outra vez segunda-feira, Record, 17SET18
 

Por Alexandre Pais
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