A abstenção do Chega permitiu ao Governo fazer passar à especialidade, na Assembleia da República, as alterações à lei do arrendamento urbano. Mas as cedências que a AD terá de aceitar resultarão num arranjo manhoso que não aumentará o número de casas para alugar, nem reduzirá o seu custo.
É muito popular defender os inquilinos e o direito à habitação, e não se cuidar igualmente dos direitos de quem se sacrificou para adquirir um apartamento cujo rendimento permitisse a velhice tranquila que a maioria dos pensionistas não tem.
A questão é antiga e não se contorna nem com rendas que os salários não suportam, nem pondo os senhorios – e o que compraram ou herdaram da família – a fazerem serviço social.
O problema só se resolve reabilitando edifícios e recorrendo a um amplo programa de habitação pública – como aquele que o PRR financiou e que não se sabe como avançará no futuro. É que baixar impostos e ter cada vez mais serviços gratuitos, num país pobre e endividado, emagrece tanto as receitas do Estado que depois, para o que é urgente, pouco resta. Ninguém quer saber de contas – até um dia.
Antena paranoica, Correio da Manhã e cm.pt, 11outubro26
