No final de 1973, o empresário Alencastre Telo, autor de canções populares e proprietário da Tipografia Lisbonense, situada na Rua do Passadiço, em Lisboa, decidiu editar uma revista mensal “para promover os artistas portugueses”. Escolheu para directora M. E. Carvalhal Soares e esta convidou Sena Santos, então em A Capital, para formar a redação. O jornalista teve a infeliz ideia de me chamar –...
Crónicas da Sábado: um dia, contem-me como foi
Como recordarão os vindouros Pedro Passos Coelho? Como o primeiro-ministro que nos salvou da bancarrota e evitou o colapso total da economia ou como o político ambicioso, que prestou vassalagem aos senhores do dinheiro e fez cair de novo os portugueses na pobreza e no atraso? Com o País mergulhado num proceloso mar de ódios e paixões, dividido entre os que insultam o líder do Governo, acusando-o...
Parece que foi ontem: Mário Coluna na miséria
Quando os protagonistas desaparecem, os seus feitos são ampliados e as suas misérias esquecidas. Sim, porque há recordações que doem e, como defendia Nietzsche, sendo o orgulho mais forte é a memória que cede. A história apagada de Mário Coluna Quem procurar a coleção do “Diário de Lisboa” no site da Fundação Mário Soares – www.fmsoares.pt – encontrará trabalhos de nomes maiores do...
Uma década de privilégio (a propósito dos 10 anos da Sábado)
Casei-me aos 20 anos e deixei a casa dos meus pais para ir morar com os meus sogros. As minhas filhas mais velhas – a mais nova está longe ainda desse dia estranho e angustiante – escapando ao erro do casamento precoce, não caíram assim num segundo e fatal equívoco que é o de começar a vida num espaço que não é nosso. E também por volta dos 20, 21 anos, criaram, as três, a sua independência e...
Os culpados pela indisciplina escolar
Um estudo divulgado a semana passada dá conta do preocupante aumento da indisciplina nas escolas portuguesas. O contrário, reconheço, é que me espantaria. Oito em cada dez professores concordam no agravamento do problema, dividindo as responsabilidades, quase em partes idênticas, pelos pais, pelas políticas governamentais e pelos alunos. Apenas 3% dos inquiridos atribui as culpas pelo triste...
O Rodrigues dos Santos
Confesso-me espetador fiel da charla dominical de Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, e do plus que constituiu o contraponto leal e sereno, e ao mesmo tempo vivo e profissional, de Judite Sousa. As audiências, aliás, confirmam que faço a escolha certa. Mas as boxes milagrosas permitem que, finda a lição do professor, se assista ao desempenho integral de José Sócrates, na RTP1, agora valorizado pelo...
Reformados vão ser roubados em definitivo
Aquilo que o professor Adriano Moreira classificou como neoliberalismo repressivo exibe no ataque às reformas a sua expressão mais selvagem. Não pertenço ao clube dos poetas vivos que vê como sagradas as verbas a que têm direito os pensionistas do Estado ou da Segurança Social, ainda que elas façam parte de um contrato que se prolongou por décadas e que foi rasgado unilateralmente pelo mais forte...
Adolfo Suárez, um herói inesquecível
Ganhei, na infância e na adolescência, quando não havia internet e o acesso ao conhecimento ia, para um jovem, pouco além dos manuais escolares, o gosto pelas personalidades históricas, pelos grandes desportistas e atores, e pelos heróis da banda desenhada. Semanalmente, procurava no Cavaleiro Andante ou no Mundo de Aventuras, não só os protagonistas imaginários como a descrição ficcionada do...
Bom dia, primavera
1. Há muitos anos que não me recordo de um inverno tão chuvoso, tanto na água que caiu do céu como no martirizado espírito dos portugueses. Talvez a primavera, o sol que reapareceu e a temperatura que começou a subir possam fazer alguma coisa por nós. Precisamos de ânimo, acima de tudo, e a capa plantável desta edição da SÁBADO, além de original, aponta-nos um caminho: o do regresso à terra. E...
Crónicas da Sábado: Rosalina
Como diz um amigo, a situação é irremediável, estamos velhos, ponto. Confesso que não desgosto de envelhecer, ou seja, o fenómeno abala-me mas não tanto quanto antes supunha. Mais doloroso, muito mais doloroso é ver o desaparecimento daqueles de quem gostamos e que tínhamos a certeza de que gostavam de nós. A cada que parte a sensação de perda é maior, olhamos em volta e apercebemo-nos da...
