Alexandre Pais

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“Alcance”: o equívoco e a canção

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No final de 1973, o empresário Alencastre Telo, autor de canções populares e proprietário da Tipografia Lisbonense, situada na Rua do Passadiço, em Lisboa, decidiu editar uma revista mensal “para promover os artistas portugueses”. Escolheu para directora M. E. Carvalhal Soares e esta convidou Sena Santos, então em A Capital, para formar a redação. O jornalista teve a infeliz ideia de me chamar –...

Crónicas da Sábado: um dia, contem-me como foi

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Como recordarão os vindouros Pedro Passos Coelho? Como o primeiro-ministro que nos salvou da bancarrota e evitou o colapso total da economia ou como o político ambicioso, que prestou vassalagem aos senhores do dinheiro e fez cair de novo os portugueses na pobreza e no atraso? Com o País mergulhado num proceloso mar de ódios e paixões, dividido entre os que insultam o líder do Governo, acusando-o...

Parece que foi ontem: Mário Coluna na miséria

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Quando os protagonistas desaparecem, os seus feitos são ampliados e as suas misérias esquecidas. Sim, porque há recordações que doem e, como defendia Nietzsche, sendo o orgulho mais forte é a memória que cede. A história apagada de Mário Coluna Quem procurar a coleção do “Diário de Lisboa” no site da Fundação Mário Soares – www.fmsoares.pt – encontrará trabalhos de nomes maiores do...

Uma década de privilégio (a propósito dos 10 anos da Sábado)

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Casei-me aos 20 anos e deixei a casa dos meus pais para ir morar com os meus sogros. As minhas filhas mais velhas – a mais nova está longe ainda desse dia estranho e angustiante – escapando ao erro do casamento precoce, não caíram assim num segundo e fatal equívoco que é o de começar a vida num espaço que não é nosso. E também por volta dos 20, 21 anos, criaram, as três, a sua independência e...

Os culpados pela indisciplina escolar

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Um estudo divulgado a semana passada dá conta do preocupante aumento da indisciplina nas escolas portuguesas. O contrário, reconheço, é que me espantaria. Oito em cada dez professores concordam no agravamento do problema, dividindo as responsabilidades, quase em partes idênticas, pelos pais, pelas políticas governamentais e pelos alunos. Apenas 3% dos inquiridos atribui as culpas pelo triste...

O Rodrigues dos Santos

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Confesso-me espetador fiel da charla dominical de Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, e do plus que constituiu o contraponto leal e sereno, e ao mesmo tempo vivo e profissional, de Judite Sousa. As audiências, aliás, confirmam que faço a escolha certa. Mas as boxes milagrosas permitem que, finda a lição do professor, se assista ao desempenho integral de José Sócrates, na RTP1, agora valorizado pelo...

Reformados vão ser roubados em definitivo

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Aquilo que o professor Adriano Moreira classificou como neoliberalismo repressivo exibe no ataque às reformas a sua expressão mais selvagem. Não pertenço ao clube dos poetas vivos que vê como sagradas as verbas a que têm direito os pensionistas do Estado ou da Segurança Social, ainda que elas façam parte de um contrato que se prolongou por décadas e que foi rasgado unilateralmente pelo mais forte...

Adolfo Suárez, um herói inesquecível

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Ganhei, na infância e na adolescência, quando não havia internet e o acesso ao conhecimento ia, para um jovem, pouco além dos manuais escolares, o gosto pelas personalidades históricas, pelos grandes desportistas e atores, e pelos heróis da banda desenhada. Semanalmente, procurava no Cavaleiro Andante ou no Mundo de Aventuras, não só os protagonistas imaginários como a descrição ficcionada do...

Bom dia, primavera

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1. Há muitos anos que não me recordo de um inverno tão chuvoso, tanto na água que caiu do céu como no martirizado espírito dos portugueses. Talvez a primavera, o sol que reapareceu e a temperatura que começou a subir possam fazer alguma coisa por nós. Precisamos de ânimo, acima de tudo, e a capa plantável desta edição da SÁBADO, além de original, aponta-nos um caminho: o do regresso à terra. E...

Crónicas da Sábado: Rosalina

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Como diz um amigo, a situação é irremediável, estamos velhos, ponto. Confesso que não desgosto de envelhecer, ou seja, o fenómeno abala-me mas não tanto quanto antes supunha. Mais doloroso, muito mais doloroso é ver o desaparecimento daqueles de quem gostamos e que tínhamos a certeza de que gostavam de nós. A cada que parte a sensação de perda é maior, olhamos em volta e apercebemo-nos da...

Alexandre Pais

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