Alexandre Pais

TagCorreio da Manhã

Viajar de bicicleta (e de helicóptero) pela TV

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Razão tinha Jorge Luís Borges quando dizia, há mais de 30 anos, que não lhe interessavam os telejornais porque não queria saber das pequenas desgraças do quotidiano. Explicava o escritor argentino que se acontecesse algo verdadeiramente importante alguém lhe daria a novidade. Como jornalista, “consumo” todas as notícias, mas a televisão é também divertimento e oferece-nos momentos de “libertação”...

A coragem de Cuca Roseta

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Ao contrário do que os saudosistas apregoam, temos hoje fadistas de qualidade. O que me dá ideia, a mim que gosto de fado, é que alguns desses intérpretes, ainda jovens, “encalharam” numa espécie de limbo artístico, tão longe do céu da arte intelectual, que não os suporta, como do inferno da música comercial, que parece envergonhá-los. Surpreendeu-me, assim, a coragem de Cuca Roseta ao expor-se...

Paulo Pires e Pedro Lima: como os miúdos cresceram

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Por vezes, passo pelas novelas. Não sou fã, mas não me cairiam os parentes na lama se fosse. Afinal, ajudei a lançar, há 17 anos (ai, ai…), a revista “Telenovelas”, e sinto orgulho por isso. Aguentei-me pouco tempo em “Jardins Proibidos”, da TVI, pois o estilo canastrão de Diogo Infante – que grita tanto que só o vemos a ele, nunca o personagem – é insuportável. Já “A Única Mulher”, também da...

Teresa Guilherme, a nova Amiga Olga

T

Chama-se “demaneidrope”, o que começa por irritar o público-alvo, pouco dado a estrangeirices. Mas a TVI compensou a fragilidade, juntando-lhe o “entre a ganhar”, que tem a vantagem de colocar o foco do concurso no que interessa, o “dinheirinho”, palavra que a apresentadora não se cansa de repetir ao longo do programa. Vinte e dois anos depois de a produção do “A Amiga Olga” meter a assistência...

A incerta certeza do Preço Certo

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O “Preço Certo” está na ordem do dia: há quem vaticine que não resistirá aos cómicos intelectuais que detestam a coisa popular e não falta quem garanta que será o próprio Fernando Mendes a bater com a porta e a mudar-se para SIC, onde lhe pagarão muito mais. Esta semana, por acaso, as audiências do “gordo” não só baixaram em relação ao habitual, como ficaram atrás do recém-estreado “The Money...

Parabéns à CMTV: pelo 2.º aniversário e pelo resto

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O leitor compreenderá que não me refira habitualmente a programas ou figuras da CMTV. Faço-o hoje porque a estação entrou no terceiro ano de existência, conseguindo já, no universo Meo, colocar-se na frente nas audiências. É uma enorme proeza nos tempos que vivemos – difíceis também para os média e para a consolidação de novos desafios – e uma estrondosa vitória para o Octávio Ribeiro e para a...

O Festival da Canção e o anjo da morte

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A transmissão do Festival da Canção confirmou a falta de qualidade que se antevia. Canções medíocres, intérpretes medianos, produção franciscana e audiência modesta – inferior, por exemplo, à que consegue “O Preço Certo” – ficaram como marcas de um serão que já nem aos nossos avós agradaria. Em 50 anos, o Mundo mudou vezes sem conta e a conceção de espectáculo em que a RTP insiste tem a...

Só se pode bater mal

S

Leio no “Negócios” que nos últimos seis meses o Novo Banco foi o campeão do financiamento aos clubes de futebol, como se não vivessem os nossos emblemas acima das suas possibilidades e como se das cinzas do falido BES tivesse nascido um potentado financeiro. Não ganhamos juízo, como se confirma com os 36% (!) de crescimento, em fevereiro, das vendas dos veículos ligeiros. Ou com a torpeza do...

Pobres gabarolas a falar de sexo

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Com “Vamos falar de sexo”, a SIC explora de novo um filão que nunca falha em termos de audiências. Por isso, deu-lhe o gás todo: transmite-o em episódios (sete!) e em horário nobre, no Jornal da Noite, entre as notícias e a homilia de Marques Mendes. Apresentado como reportagem, o programa assenta em depoimentos de linguagem crua e supostamente desinibida, com aparição final de um psicólogo...

País de pobretes e alegretes

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Armando Esteves Pereira dissertava anteontem, na última página, sobre o poder que alienámos ao deixarmos de ter grupos financeiros. E concluía o diretor adjunto do CM: “É em Espanha, Angola ou China que estão os verdadeiros centros de decisão deste país”. A questão que acrescento é: e merecíamos ter centros de decisão? A PT reconheceu ter ficado a dever-se a um erro humano o recente apagão que...

Alexandre Pais

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