Alexandre Pais

O triunfo dos cães de guerra

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Não sei se Nelson Évora tinha, ou tem, mais um ano de compromisso com o Benfica, não sei se o Sporting fez bem ou mal em contratá-lo, não sei se Telma Monteiro irá deixar também os encarnados, como não sei se essas deserções, a confirmarem-se, terão algo a ver com o regresso de Fernando Tavares à liderança das modalidades do clube da Luz. E não sei porque não me interessa. Eles, sim, conhecem bem as linhas com que se cosem.
O que sei, eu que me considero equidistante de Sporting e Benfica – apreciando ambos porque não vejo o desporto como um palco de ódios – é que me desgostou a forma, exageradamente eufórica, como Nelson Évora se apresentou, no sábado, em Alvalade. Acho que não havia necessidade que um campeão olímpico, já mais perto do que longe do final da carreira, se prestasse a ser acha de fogueira da suja hostilidade que opõe leões e águias. Uma hostilidade que desprestigia os agentes desportivos e entristece os adeptos civilizados – a esmagadora maioria – mas que constitui um maná para os cães de guerra especializados em vomitar mentiras, promover vaidades e atiçar frustrações.
Por outro lado, não entendo o modo frio como tantos atletas, em especial futebolistas no ocaso dos percursos profissionais, trocam os clubes com os quais se identificam – e com os quais os identifica o grande público – por um prato de lentilhas. Ganham alguma coisa, no imediato, para uns últimos aforros? Talvez, mas é bem pior o que deitam fora: os corações daqueles que os admiravam. E em termos de futuro, então, isso transforma-se – e não faltam exemplos – num completo desastre.
Canto direto, Record, 24OUT16

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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