Corria o ano 2000 em Portugal e ‘famosos’ eram aqueles que se distinguiam numa profissão e como tal eram reconhecidos. Mas o conceito iria mudar, mal sonhava eu, quando na redação do ‘24horas’ percebi que o Zé Maria, do ‘Big Brother’, iria ser popular, e pedi a uma repórter que fosse a Barrancos saber quem era o rapaz das galinhas.
Depois, a imprensa cor-de-rosa foi atrás e veio o deslumbramento do protagonista improvável, a sua inadaptação à cidade grande e o desmoronar dos sonhos de papel. Dececionado e doente, Zé Maria regressou a casa e os ‘famosos’ de coisa nenhuma foram-se multiplicando – quase todos frágeis, sem preparação cultural nem ocupação, apenas conhecidos enquanto apareciam na TV.
Mas a vida não é simples, a saúde não é de ferro e a desilusão pode matar. Fanny Rodrigues, um dos raros ´famosos’ que logrou uma carreira, foi agora salva pelo pai, que percebeu a gravidade do estado mental e a internou. Quando o seu mundo ruiu, teve sorte: ele estava lá. Tudo o resto era zero.
Eis uma dura lição que devia ser aprendida pelos candidatos a nada que a televisão devora a baixo custo.
Antena paranoica, CM de 28março26
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