Foi como que um jornal que deixou de se publicar. Talvez por haver perdido a frescura, provavelmente porque a televisão vive de ciclos mais rápidos. Não, com toda a certeza, por deixar de ter razão de ser. A verdade é que o “Contra-Informação” fechou a porta esta semana. Pelo menos na RTP. Quando o programa se estreou, há 15 anos, o país era outro, as susceptibilidades ainda estavam em franja, os...
Antena paranóica: o álcool que embala o berço
Há truques velhos como o Mundo. Nos anos 50, do século passado que ainda não houve outros, andava eu na escola em Canas de Senhorim e um inofensivo e simpático doente mental à solta pelas ruas, o Mário. A malandragem de então, uma minoria de desocupados que se entretinha nas tabernas, tinha o péssimo hábito de oferecer uns copos ao Mário, que bebia até cair de bêbado. A seguir, claro – e era isso...
Antena paranóica: um prémio, um visionário
Gostamos de erguer troféus e esquecer que o êxito só foi possível porque, antes, alguém ousou sonhar Desconfio muito dos prémios internacionais, outorgados muitas vezes não aos melhores mas aos amigos ou aos que proporcionam negócios mais chorudos. Mas acredito que não seja esse o principal critério de atribuição dos Emmy, que não desfrutariam do prestígio que alcançaram se não se guiassem por...
Antena paranóica: falar muito e dizer pouco
Os programas de “opinião pública”, que começaram nas madrugadas da rádio há muitos anos e gozam hoje de boa saúde nos canais noticiosos de televisão, constituem uma excelente área de estudo para quem queira criar um perfil do português médio e compreender o que lhe vai na cabeça. É também por isso que gosto de andar de metro, de ver como se vestem as pessoas, se estão mais ou menos fechados os...
Antena paranóica: o eixo do bem
Perdido na noite alta da SIC Notícias, ao alcance de uma minoria, “O Eixo do Mal” deve parecer, aos mais distraídos, um programa dirigido exclusivamente a intelectuais. É pena. Intoxicado por serviços noticiosos em que os temas importantes, em particular os que lhe doem no osso, se diluem em poças de sangue, o telespectador médio muito teria a ganhar – em capacidade de entendimento da realidade...
Antena paranóica: CM, a grande conjugação
A crise que ataca hoje o mercado dos jornais e revistas passa incólume pelo “Correio da Manhã”, que bateu, segundo a APCT, um novo recorde de vendas em banca: 123.716 exemplares/dia nos primeiros oito meses de 2010. E 137.866 (!) em Agosto último. O CM teve um começo difícil e no primeiro ano de publicação vendia menos que outro diário nascido também no final da década de 70, o “Portugal Hoje”...
Antena paranóica: um pai perfeito
Gosto de programas populares, não tenho complexos. Mas confesso que me foi penoso assistir a parte do “directo” da última “gala” da “Casa dos Segredos”, da TVI, tarefa a que fui obrigado por puro dever de ofício. Estamos, de facto, perante algo muito mau, já que ao optar-se por concorrentes de fraca qualidade – e dizendo isto estou a ser simpático – mas capazes de “cenas” que garantem audiências...
Antena paranóica: Uma lua lá em baixo
Há 41 anos, vibrei quando o homem pisou pela primeira vez a Lua, graças à transmissão directa a que a RTP aderiu. Desde então, centenas de grandes eventos obrigaram-me a ficar milhares de horas “colado” ao televisor, tendo o meu “disco rígido” conservado apenas alguns, poucos. E não recordo, em quatro décadas, “directo” que me tenha tocado tanto como o do salvamento dos 33 mineiros, no Chile, que...
Antena paranóica: em defesa das telenovelas
Não sei se o leitor sabe quem é Jorge Silva Melo. Provavelmente, não. Mas faço uma apresentação simples: trata-se de um sólido actor e encenador, “compagnon de route” de Luís Miguel Cintra, e ligado, nas últimas três ou quatro décadas, a espectáculos teatrais da maior qualidade. Ele é, assim, o mais insuspeito dos telespectadores, até porque confessa ver pouca televisão. Talvez por isso lhe sobre...
Antena paranóica: Sem contras e sem prós
Já apreciei mais o “Prós e Contras”, da RTP1, e o desempenho de Fátima Campos Ferreira, hoje muito prejudicado pela estagnação de um formato a reclamar urgente upgrade. Os prós e os contras são cada vez menos opostos, as opiniões surgem algo desgarradas, por vezes o vazio instala-se, a monotonia adormece-nos. Não fosse a participação de Carvalho da Silva e de Fernando Ulrich, no último programa...
