Alexandre Pais

Últimas histórias

Ribeiro Cristóvão: reencontro com uma referência

O António Ribeiro Cristóvão é um daqueles jornalistas que, tendo obtido êxito profissional em Angola, foram forçados a recomeçar do zero, em Portugal, a seguir ao 25 de Abril. Entre 1963 e 1975, ele trabalhou no Rádio Clube do Huambo, e já em Lisboa, em 1976, entrou para a Rádio Renascença, tendo criado e dirigido o departamento de Desporto. Em 1982, ano em que passou a colaborar também com a...

Tão ricos que nós somos

Declaração de interesses: sou um dos 12 mil privilegiados cujos rendimentos brutos ultrapassam os 80 mil euros anuais e que vão, em Janeiro, continuar a pagar 3,5% de sobretaxa de IRS em vez de 1,75%, como prometeu António Costa na campanha – afinal, uma promessa incumprida de quem tanta moral pregou. Mas nada me aborreço com isso e, mesmo depois de o governo anterior me ter desviado mais de 30...

José Mourinho, um coração de ouro

Não chegou ao Natal. A expressão, que pertence desde que me lembro ao jargão do futebolês, atingiu, desta feita, o alvo improvável: José Mourinho. Mas ao contrário do que se julga, o treinador está na situação atual, a de despedido, porque foi tomado por um inesperado síndrome natalício e ficou com um coração de ouro. Em 2000, quando treinou o Benfica, depois em Leiria, e até em 2002, nos meses...

A noite do diabo de José Alberto Carvalho

Passei parte da minha vida profissional a ver, com a maior indiferença, é certo, os olhares de desdém que jornalistas que se consideram muito sérios me dedicavam, por trabalhar na imprensa dita desportiva, em revistas cor-de-rosa ou em títulos voltados para a informação mais popular, aquela que os leitores preferem às impenetráveis massas de texto dos jornais que a si próprios se classificam como...

O calvário de não se poder (nem saber) parar

Muitos daqueles que detestam Cristiano Ronaldo odeiam por pura inveja – do protagonismo, do dinheiro e do sucesso com as mulheres. Relembro hoje o fenómeno semelhante, de há 50 anos, quando António Calvário estava no auge da sua fama e arrastava atrás de si multidões de teenagers excitadas. O que isso me irritava e irritava os meus amigos! É difícil para os menos velhos compreender o...

Centenos de milhões

Não faltam por aí Medinas Carreiras, a garantir que a equação virtuosa do ministro das Finanças é impossível de resolver e vai acabar em tragédia. Mas nascem a cada dia mais Mários Centenos, empolgados com os horizontes de prosperidade que antevêem nesta sociedade falida. Creio que nem nos melhores anos de folia vi os centros comerciais, os restaurantes ou as gasolineiras com tanta gente a gastar...

Um almoço de jornalistas pouco revolucionários

“Sinto saudade de alguns velhos amigos, talvez não seja saudade, seja necessidade de viver tudo outra vez” – Projota, rapper, compositor e produtor musical brasileiro Após o 25 de Novembro de 1975, a Emissora Nacional passou a designar-se Radiodifusão Portuguesa e os serviços de informação, transferidos para as instalações da Rua Sampaio e Pina, deixaram de contar, nas redacções, com mais de uma...

O papel de Luís Filipe Vieira na história do Benfica

Com um passivo que se estima em cerca de 430 milhões de euros, o Benfica travou, enfim, a bola de neve que o ameaçava conduzir um dia à insolvência. Mas não se trata apenas da vitória da crua realidade dos números e muito menos da tomada de consciência que transportou o bom senso para Luz. O que se passa é simplesmente a preocupação de um homem com a forma como a história do Benfica virá a...

Sal da traição na Quinta de La Guilherme

As audiências já não são o que eram, mas Teresa Guilherme não se conforma. “A Quinta” fica em baixo no top 10 diário e foi preciso levar a estúdio o marido, ou ex-marido – já ninguém sabe, nem o interessado – da inconstante Romana para que o sal da traição puxasse o “reality show” da TVI de novo para cima. E no último domingo, na falta do verdadeiro, utilizou-se um suposto marido para confrontar...

O quarto escuro de Passos Coelho

Passos Coelho não consegue disfarçar a decepção por não ter continuado a governar. E muitos dos seus apoiantes não esperavam, certamente, que no Parlamento, no dia em que a esquerda derrotou a moção de rejeição da coligação, o ex-primeiro-ministro insistisse no discurso do coitadinho. Com a aura do poder, todas as pessoas se sentem realizadas – e parecem até bonitas e virtuosas. Como disse Bruce...

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