Nos protestos pela falta de habitação, os ‘diretos’ de TV vão revelando dois tipos de manifestantes: o que está de facto assoberbado com um problema grave e aquele que vê aí o caminho para a ‘revolução antiburguesa’ – o delírio cubano que abril não cumpriu.
No primeiro, que surge mais ao fim da tarde, integram-se pessoas equilibradas e de todas as tendências sociais e políticas: de idosos preocupados com a casa dos netos a adolescentes que só desejam ter um futuro. ‘Desfilo’ com esses.
No segundo, estão os alucinados da noite, que dizem querer ‘ocupar as casas de Montenegro’, ‘derrubar o Governo’ e ‘destruir o Estado’, que trazem bandeiras do Hamas e cartazes que falam por si: ‘Viver o comunismo, espalhar a anarquia’. São os que provocam a polícia com os piores insultos – cometendo o crime de injúria agravada e deixando alguns repórteres borrados de medo – e que tentam tudo para serem reprimidos e se armarem em vítimas.
O desvario é tal, que um veterano cantor justificou assim a sua presença na ‘manif’: “Sempre que há revoluções, a canção aparece”. Foste claro, rapaz, já podes voltar para a Lua.
Antena paranoica, Correio da Manhã e cm.pt, 31outubro26
