Alexandre Pais

O que eu faria se fosse primeiro-ministro

O

Vejo Luís Montenegro de gravata, em incursões pelas zonas destruídas e pergunto-me: além de apoio moral, anda a resolver o quê? O semblante consternado teve o seu dia, mas agora já só a recuperação plena – e para ontem – interessa a quem perdeu tudo ou quase tudo.

A devastação é brutal e a reparação levará anos, pelo que, nos próximos longos tempos, onde existir uma aldeia sem estrada, um idoso sem casa, uma empresa sem instalações ou uma família sem pão haverá uma câmara de TV a captar a ira, agravando a perceção que, bem ou mal, se instalou no país: o Governo ‘nada faz’.

Montenegro não pode ir aparecendo, nem enviar emissários: tem de ser ele a gerir o caos, todos os dias. Se fosse eu, delegaria a coordenação da ação governativa e passaria três meses no terreno a dar ordens a chefes, comandantes, diretores e generais. Anularia ‘quintas’, faria tremer burocratas e afastaria emplastros. Ou seja, combateria a demagogia dos cavaleiros das trevas, que se vão aproveitando de uma angústia insuportável. E desse modo, sim, reergueria Portugal. Depois, criassem uma crise política que eu cá estaria.

Antena paranoica, CM e cm.pt, 14fevereiro26

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

Arquivo

Twitter

Etiquetas