Alexandre Pais

O maior teste à paciência de Jorge Jesus

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Com a indicação dos 25 jogadores que irão disputar – a partir de amanhã e apenas em 11 dias! – os quatro encontros iniciais da Liga das Nações’27, Jorge Jesus já vestiu a odiada ‘pele’ de Roberto Martínez, a mesma que antes foi de Fernando Santos, de Paulo Bento, de Carlos Queiroz e de Luís Felipe Scolari, este o primeiro selecionador nacional a ser alvo da raiva intensa de alguns doutorados em pontapé na bola, que sobre o técnico brasileiro despejaram as próprias frustrações. Jesus tem, no entanto, uma vantagem sobre os antecessores: a capacidade de arrasar essa tropa fandanga, como depressa veremos.

E qual foi a principal crítica dirigida à primeira convocatória de JJ? A falta do que chamam ‘renovação’ sem fazerem a mínima ideia de como a evolução da lista de eleitos pode e deve ser conduzida. Mas apesar disso falam, falam, falam como se, na matéria, tivessem conhecimento ou experiência – e não fossem simplesmente ridículos.

Falham desde logo, na substância, nos factos. Acham que pôr de fora José Sá e chamar Samuel Soares, não escolher Nélson Semedo e Matheus Nunes e convocar Nuno Tavares, deixar cair Samuel Costa e recuperar João Palhinha ou preferir Fábio Silva a Gonçalo Guedes – e ainda a André Silva, Gonçalo Paciência ou Paulinho, um jovem a três veteranos – não é renovar mas sim, dizem, uma ‘continuidade’. E justificam a sua ‘desilusão’, como se interessasse a alguém que se sintam ‘desiludidos’, reclamando que Rodrigo Mora, que não é titular da Roma, ou Mateus Fernandes, que joga minutos sem convencer no Tottenham – último da Premier League – deviam ter ‘saltado’ dos sub-21 para a equipa A. Que exemplos tão ‘renovadores’!

Mas os sabichões do blá-blá falham também na estratégia. Portugal venceu duas vezes a Liga das Nações e é o campeão em título, pelo que só um acéfalo se poria a ‘inovar’ na convocatória, tendo em vista o Mundial de 2030, para isso mandando já para casa futebolistas que só então serão ‘velhos’, como João Cancelo e Rui Silva (36 anos), Bernardo Silva e Bruno Fernandes (quase 36), João Palhinha (35) ou mesmo Rúben Dias e Rúben Neves, por certo ‘acabados’ aos 33 anos. Juntando-lhes Cristiano Ronaldo, seriam oito a saltar do comboio. E quem convocariam os iluminados críticos de Jorge Jesus – e dos que o antecederam, tudo gente ignorante? Mais malta dos sub-21? Devia ser uma lista jeitosa.

Claro que o verdadeiro motivo da irritação dos campeões da arenga é o de sempre: Cristiano Ronaldo. Escrevi aqui há muito que a ida de Jesus para a Arábia, a fim de ajudar Cristiano a ser campeão saudita, teria a contrapartida que está à vista: o capitão da Seleção vai dar o seu contributo para o êxito de JJ, tentando em simultâneo aumentar as suas possibilidades de chegar aos 1 000 golos naquela que será, provavelmente, a sua derradeira temporada como jogador. Depois, virá ainda o Europeu de 2028 e aí, com CR7, ou talvez não, deixarão de ser escolhidos mais dois ou três e de seguida outros tantos com vista ao Mundial. É assim, com sangue novo mas sem se perder o talento e o saber acumulado dos mais experientes, que se fará a renovação. Não com as alarvices largadas pela boca fora por alguns arrivistas para cativar os eternos descontentes ou ganhar audiências. A ‘next gen’ terá o seu tempo. Até lá, haja paciência.

Publicado em 24horas.pt em 23setembro2026

Por Alexandre Pais
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