Há décadas que os problemas da RTP passam pelos pingos da chuva e vão para debaixo do tapete porque quem paga é o mesmo. Nas últimas semanas, os arraiais montados em torno dos ministros Luís Neves e Fernando Alexandre foram a nuvem que ‘encobriu’ a ‘novidade’ de que a estação do Estado espera este ano um prejuízo de 11,3 milhões de euros, depois de ter perdido 3,9 milhões em 2025. Um forrobodó.
A administração liderada por Nicolau Santos – veterano de 72 anos com o talento de ‘flutuar’ seja rosa ou laranja a cor do poder – justifica o défice com a necessidade de chegar a acordo com 157 (!) funcionários para rescisão dos contratos, no que prevê gastar 12 milhões de euros – uma simpática média de 76,4 mil por cabeça. Isso para que seja possível voltar aos lucros em 2027. E não, não é uma piada.
Agora, ia eu explicar porque é que não será assim – fica para a próxima – quando esbarro numa notícia mais fresca. A de que a Inspeção-Geral de Finanças identificou irregularidades na atribuição de ‘complementos’ remuneratórios, entre 2018 e 2024, na RTP, essa alegre casinha onde tudo acontece. Paga, Zé.
Antena paranoica, Correio da Manhã e cm.pt, 8agosto26
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