Alexandre Pais

Se Ventura queria o Governo na abertura dos telejornais, acertou

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Trabalhei com um diretor, viciado em jogo e em estratégia, que nunca atuava de forma que prejudicasse o controlo sobre os outros. Passei desde então a ver a vida sob um prisma diferente e tornei-me observador mais atento das consequências tanto da impulsividade como do tacticismo refinado.

Foi com esse olhar que assisti à tentativa de derrube (?) do Executivo, destinada a manter o Chega na ribalta da política – de onde, aliás, nunca sai – e à resposta de Montenegro, que aproveitou a oportunidade para uma fulminante ação de marketing. Se Ventura queria que a atribuição de mais uns euros ao pagode – por parte da coligação que surge em terceiro nas sondagens – fizesse as manchetes dos jornais e a abertura dos telejornais, está de parabéns: montou o palco perfeito para o show, acertou no alvo.

Já o fuzilamento de quatro horas a que foi sujeito Luís Neves serviu apenas para que as pessoas com qualidade – e que tenham herdado um fiozinho de ouro que seja – nem pensem no serviço público. Um simples atraso no pagamento do toldo na praia pode levar à devassa completa da sua vida. Cito Cavaco: safa!

 Antena paranoica, CM e cm.pt, 12setembro26

                                                

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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