Alexandre Pais

Jorge Jesus no Sporting estava escrito nas estrelas

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Nunca foi homem de ficar muito tempo no mesmo sítio. Em 19 épocas como jogador, vestiu 12 camisolas, e vai entrar na 27.ª temporada como treinador para liderar a equipa técnica do 11.º clube. Mas se os últimos seis anos no Benfica constituem o seu recorde de permanência, foram os cinco de ligação ao Sporting, dos juniores à equipa principal – apesar de cedido e mais tarde dispensado –, que marcaram Jorge Jesus.
Daí que o regresso a Alvalade estivesse escrito nas estrelas, era uma questão de tempo, faltando apenas conhecer um pormenor relevante: se este será o tempo.
Mais do que a mudança, que foi surpreendente, o que de facto me espanta é que Jesus e Bruno Carvalho queiram trabalhar um com o outro, sabendo que não vão poder fazer farinha, ou seja, o nariz empinado é mútuo em questões de trabalho e ou as vitórias surgem em catadupa – o que está longe dos nossos limitados horizontes – ou a vida ficará difícil.
Seja como for, do ponto de vista desportivo a opção do líder sportinguista é a única que pode, na realidade, transfigurar o futebol dos leões. Alvalade vai registar casas cheias, o merchandising rejubilará, a euforia tomará corações. E se, a 9 de Agosto, Jesus arrebatar a Supertaça ao Benfica, a mancha verde do Marquês transbordará com loucura. Essa miragem já é uma vitória, o Sporting ganha, na roleta russa, o primeiro disparo. O segundo, logo veremos.
Observador, Sábado, 10JUN15

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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