Alexandre Pais

Antena paranóica: a absurda história de Zita Seabra

A

Zita Seabra foi militante do
PCP, controleira e deputada, distinguindo-se em S. Bento pela agressividade. Um
dia, desiludida, largou o símbolo da foice e do martelo, que a levou a ser perseguida,
e continuou a sua vida, acabando por aderir ao PSD. Teve funções autárquicas e
regressou à AR, ou seja, passou da esquerda-esquerda para o centro-direita, não
só ao nível da opinião, como seria natural, mas também do desempenho de cargos de confiança política, como se o
seu passado tivesse deixado de lhe pertencer.

Está no seu direito? Está. A
verdade é que essa postura não lhe permitiu ir longe no PSD, pois o seu “arrependimento”
choca. É que Zita jamais poupou o anterior partido, divulgando factos, reais ou
supostos, e desrespeitando com isso os antigos companheiros de percurso.

Esta semana, lá voltou ela,
na SIC Notícias, perante um Mário Crespo sempre hábil na inquirição, a uns lamentáveis
“ouvi dizer” que apontavam para microfones-espiões escondidos nos ares condicionados vendidos pela antiga FNAC. Uma história absurda e mais uma tristíssima figura.

Que Deus lhe acuda porque
Marx já não pode.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 11 agosto 2012

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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