Alexandre Pais

CetegoriaGeral

No tempo em que a inflação corroía os salários

N

Com a inflação acumulada dos últimos cinco anos a rondar os 4 por cento, já poucos recordarão as loucas décadas de 70 e 80, em que a taxa anual subiu até aos 32,2%, como sucedeu em 1983. Vivi esses tempos com pavor, a prestação da minha casa atingia valores exorbitantes e o meu salário não parava de perder valor. Em janeiro de 1976, o Diário Popular revelava os ordenados dos jornalistas do...

Os capazes e os capazes de tudo na política

O

Preparava-se António Costa para recolher os dividendos políticos dos últimos resultados da gestão Centeno e eis que PSD e CDS lhe trocam as voltas, aumentando o ruído em torno da magna questão das mensagens trocadas entre o ministro das Finanças e o inefável dr. Domingues. No pelotão de ataque, comandado pelo aguerrido deputado Leitão Amaro, cedo se fez ouvir a voz grossa do ex-secretário de...

O belo, a besta (e Mascherano!) e o mal-amado de Camp Nou

O

O milagre do Barcelona, sim tratou-se de um milagre, só foi possível pelo talento e inteligência de um jogador que tanto se acusa de ter pouca cabeça: Neymar. Sim, foi ele que, com aquele grande golo aos 88-minutos-88, iniciou a cavalgada que aniquilaria o PSG. Mas o milagre do Barça também só foi possível porque ao talento de outro jogador faltou a inteligência que se lhe tolhe, aliás, muitas...

Uma vergonha para Lisboa que Lisboa teima em manter

U

Todos os dias, ao longo de meses, até já de anos, autoridades das mais variadas instituições, incluindo responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa – cidade de turismo e capital europeia – passam nesta rotunda da Av. Machado dos Santos, junto ao Estádio da Luz, e veem, olhando imediatamente para o lado, o triste espetáculo de uns sem abrigo que instalaram uma central de lixo debaixo do...

Afinal, enganei-me: foram só 9 a 1

A

Não alimentem ilusões: se os dados forem os que estão hoje sobre a mesa, a 4 de março vão ser 10 a zero – escrevia eu aqui no passado dia 30 de janeiro, ainda a procissão ia no adro. Havia duas hipóteses: ou Pedro Madeira Rodrigues fazia uma campanha em crescendo, apresentando um programa inovador e construindo uma imagem de solidez e serenidade, ou se limitava a anunciar intenções e acabava por...

Carnaval dos pobrezinhos

C

As reportagens de eventos carnavalescos multiplicaram-se em todos os canais de TV, não havendo festarolas, por mais modestas que fossem, que escapassem às câmaras. Algumas eram bem tristes: umas máscaras pobrezinhas, uns tantos enfarinhados a dar às ancas em coreografias despidas de gosto e de graça. Atrás, junto a prédios incaracterísticos ou cenários mal amanhados, viam-se assistências...

Um barco, uma guerra e um casamento

U

A 28 de setembro de 1940, o meu pai, que prestava serviço militar na Marinha, enviou do Funchal, de bordo do contratorpedeiro Douro, um postal para a minha mãe, em Lisboa, no qual escrevia: “Afinal, houve paquete para levar o correio antes do que se esperava. Mas ainda te não posso dizer nada a respeito do movimento do navio”. Eram momentos de incerteza, estava-se em plena Segunda Guerra Mundial...

LF Vieira na CMTV: nota 4 para um peixe de águas profundas

L

Um peixe de águas profundas não vive fora seu habitat. Precavido, foi um especialista em sobrevivência no agreste mar do futebol – em que Luís Filipe Vieira se transformou nos últimos 16 anos – que ontem enfrentou os entrevistadores da CMTV, também eles habitantes seguros dos mares mais frios. Tomemos como exemplo a pergunta de Octávio Ribeiro sobre a reunião “a sós” com o Conselho de Arbitragem...

José Mourinho: uma vénia nem só pelos 24

J

São 24 títulos na carreira, 10 em Inglaterra e dois no Manchester United em poucos meses. José Mourinho viveu ontem mais uma tarde de sucesso, que celebrou à sua maneira: semblante carregado, supostamente chateado com alguém ou apenas com o Mundo, hesitante na subida à tribuna, rosto fechado a expressões de alegria. Mou leva-se demasiado a sério e vê talvez o sorriso como uma fraqueza, uma fresta...

Dr. Domingues, desapareça!

D

Trabalhei com o maestro Joly Braga Santos, um ser superior, um génio, que por vezes vi subir a Rua Garrett simulando dirigir uma orquestra, para espanto dos transeuntes. E recordo-me dele sempre que vejo o ministro Mário Centeno, com o seu ar simplório de Zé Colmeia – como lhe chamam nas redes sociais, entre o coro habitual de alarvidades – a meter os pés pelas mãos com uma falta de jeito...

Alexandre Pais

Arquivo

Twitter

Etiquetas