Na semana em que se perfazem 16 anos de ‘Antena paranoica’ e mais de 800 (!) crónicas do escriba, quero satisfazer a curiosidade dos leitores sobre o uso da saudação ‘chapeau!’
Esta coluna foi criada como ‘crítica de TV’ no tempo em que era fácil separar o mérito da mediocridade, melhor dito, quando as pessoas com talento não eram forçadas a ceder à vulgaridade para sobreviver. Com a mudança de paradigma, apetece-me mais valorizar desempenhos positivos do que ‘arrasar’ um tolinho preocupado com a conta da luz. Além de que defendo que se premeie em vida e se vertam menos lágrimas de crocodilo quando um protagonista desaparece.
Fui também influenciado pelos grandes cronistas de jogos de futebol, nos idos de 50 e 60, que recorriam muito a termos de matriz francófona: por exemplo, para definir um jogador elegante diziam que tinha ‘panache’, se fosse um mais atrevido era ‘gavroche’. Daí ter adotado do Francês o ‘chapeau’ – como outros autores, aliás – para vincar a admiração que alguém me merece. E hoje é o seu caso, leitor, que há tanto tempo aqui me lê palavras certas e alguns disparates. Chapeau!
Antena paranoica, Correio da Manhã e cm.pt, 5setembro26
