“Não morre quem se ausenta, morre quem é esquecido” – Mia Couto, biólogo e escritor, Beira, Moçambique, 1955 A 3 de Janeiro de 2006, aos 57 anos, cedo de mais, morreu um dos grandes jornalistas portugueses, um dos maiores de todos os tempos: Carlos Cáceres Monteiro. Não tive o privilégio de trabalhar com ele, partilhámos apenas o mesmo edifício, no Marquês de Pombal, durante os meses da aventura...
Euforia nervosa em Alvalade
Diz-me o Record que os oito mil adeptos leoninos que se deslocaram a Alvalade no último sábado, para assistirem ao treino da equipa principal, criaram no estádio um clima de euforia. Euforia, mesmo euforia? Hum… Antes, há que sublinhar o mérito da iniciativa solidária, que permitiu à Fundação Sporting recolher mais de três mil brinquedos destinados a crianças desfavorecidas – cada pessoa...
Uma notícia que evita mais mortes, um jornal de serviço público
Por ter sofrido uma hemorragia cerebral, David Duarte, de 29 anos, foi enviado de urgência, na sexta-feira, dia 11, do hospital de Santarém para Lisboa e morreu, na segunda-feira seguinte, sem ser operado, por ao fim de semana não haver neurocirurgiões em São José. A desgraça, consequência de um criminoso corte de despesas – para salvar os bancos é preciso deixar morrer as pessoas – não dera em...
Ribeiro Cristóvão: reencontro com uma referência
O António Ribeiro Cristóvão é um daqueles jornalistas que, tendo obtido êxito profissional em Angola, foram forçados a recomeçar do zero, em Portugal, a seguir ao 25 de Abril. Entre 1963 e 1975, ele trabalhou no Rádio Clube do Huambo, e já em Lisboa, em 1976, entrou para a Rádio Renascença, tendo criado e dirigido o departamento de Desporto. Em 1982, ano em que passou a colaborar também com a...
Tão ricos que nós somos
Declaração de interesses: sou um dos 12 mil privilegiados cujos rendimentos brutos ultrapassam os 80 mil euros anuais e que vão, em Janeiro, continuar a pagar 3,5% de sobretaxa de IRS em vez de 1,75%, como prometeu António Costa na campanha – afinal, uma promessa incumprida de quem tanta moral pregou. Mas nada me aborreço com isso e, mesmo depois de o governo anterior me ter desviado mais de 30...
José Mourinho, um coração de ouro
Não chegou ao Natal. A expressão, que pertence desde que me lembro ao jargão do futebolês, atingiu, desta feita, o alvo improvável: José Mourinho. Mas ao contrário do que se julga, o treinador está na situação atual, a de despedido, porque foi tomado por um inesperado síndrome natalício e ficou com um coração de ouro. Em 2000, quando treinou o Benfica, depois em Leiria, e até em 2002, nos meses...
A noite do diabo de José Alberto Carvalho
Passei parte da minha vida profissional a ver, com a maior indiferença, é certo, os olhares de desdém que jornalistas que se consideram muito sérios me dedicavam, por trabalhar na imprensa dita desportiva, em revistas cor-de-rosa ou em títulos voltados para a informação mais popular, aquela que os leitores preferem às impenetráveis massas de texto dos jornais que a si próprios se classificam como...
O calvário de não se poder (nem saber) parar
Muitos daqueles que detestam Cristiano Ronaldo odeiam por pura inveja – do protagonismo, do dinheiro e do sucesso com as mulheres. Relembro hoje o fenómeno semelhante, de há 50 anos, quando António Calvário estava no auge da sua fama e arrastava atrás de si multidões de teenagers excitadas. O que isso me irritava e irritava os meus amigos! É difícil para os menos velhos compreender o...
Centenos de milhões
Não faltam por aí Medinas Carreiras, a garantir que a equação virtuosa do ministro das Finanças é impossível de resolver e vai acabar em tragédia. Mas nascem a cada dia mais Mários Centenos, empolgados com os horizontes de prosperidade que antevêem nesta sociedade falida. Creio que nem nos melhores anos de folia vi os centros comerciais, os restaurantes ou as gasolineiras com tanta gente a gastar...
Um almoço de jornalistas pouco revolucionários
“Sinto saudade de alguns velhos amigos, talvez não seja saudade, seja necessidade de viver tudo outra vez” – Projota, rapper, compositor e produtor musical brasileiro Após o 25 de Novembro de 1975, a Emissora Nacional passou a designar-se Radiodifusão Portuguesa e os serviços de informação, transferidos para as instalações da Rua Sampaio e Pina, deixaram de contar, nas redacções, com mais de uma...
