Os programas de “opinião pública”, que começaram nas madrugadas da rádio há muitos anos e gozam hoje de boa saúde nos canais noticiosos de televisão, constituem uma excelente área de estudo para quem queira criar um perfil do português médio e compreender o que lhe vai na cabeça. É também por isso que gosto de andar de metro, de ver como se vestem as pessoas, se estão mais ou menos fechados os...
Antena paranóica: um autarca exemplar
Todas as manhãs, enquanto me preparo para sair de casa, vejo mais ou menos pelo canto olho o trabalho de dois apresentadores que aprecio: Jorge Gabriel, na RTP1, e Manuel Luís Goucha, na TVI. Divirto-me, por exemplo, com o humor do professor Pinto da Costa – aquilo deve ser de família… – ou com o estilo despretensioso de Goucha, cuja capacidade para rir de si próprio é talvez o grande...
Antena paranóica: o eixo do bem
Perdido na noite alta da SIC Notícias, ao alcance de uma minoria, “O Eixo do Mal” deve parecer, aos mais distraídos, um programa dirigido exclusivamente a intelectuais. É pena. Intoxicado por serviços noticiosos em que os temas importantes, em particular os que lhe doem no osso, se diluem em poças de sangue, o telespectador médio muito teria a ganhar – em capacidade de entendimento da realidade...
Antena paranóica: CM, a grande conjugação
A crise que ataca hoje o mercado dos jornais e revistas passa incólume pelo “Correio da Manhã”, que bateu, segundo a APCT, um novo recorde de vendas em banca: 123.716 exemplares/dia nos primeiros oito meses de 2010. E 137.866 (!) em Agosto último. O CM teve um começo difícil e no primeiro ano de publicação vendia menos que outro diário nascido também no final da década de 70, o “Portugal Hoje”...
Antena paranóica: um pai perfeito
Gosto de programas populares, não tenho complexos. Mas confesso que me foi penoso assistir a parte do “directo” da última “gala” da “Casa dos Segredos”, da TVI, tarefa a que fui obrigado por puro dever de ofício. Estamos, de facto, perante algo muito mau, já que ao optar-se por concorrentes de fraca qualidade – e dizendo isto estou a ser simpático – mas capazes de “cenas” que garantem audiências...
Antena paranóica: Uma lua lá em baixo
Há 41 anos, vibrei quando o homem pisou pela primeira vez a Lua, graças à transmissão directa a que a RTP aderiu. Desde então, centenas de grandes eventos obrigaram-me a ficar milhares de horas “colado” ao televisor, tendo o meu “disco rígido” conservado apenas alguns, poucos. E não recordo, em quatro décadas, “directo” que me tenha tocado tanto como o do salvamento dos 33 mineiros, no Chile, que...
Antena paranóica: em defesa das telenovelas
Não sei se o leitor sabe quem é Jorge Silva Melo. Provavelmente, não. Mas faço uma apresentação simples: trata-se de um sólido actor e encenador, “compagnon de route” de Luís Miguel Cintra, e ligado, nas últimas três ou quatro décadas, a espectáculos teatrais da maior qualidade. Ele é, assim, o mais insuspeito dos telespectadores, até porque confessa ver pouca televisão. Talvez por isso lhe sobre...
Antena paranóica: Sem contras e sem prós
Já apreciei mais o “Prós e Contras”, da RTP1, e o desempenho de Fátima Campos Ferreira, hoje muito prejudicado pela estagnação de um formato a reclamar urgente upgrade. Os prós e os contras são cada vez menos opostos, as opiniões surgem algo desgarradas, por vezes o vazio instala-se, a monotonia adormece-nos. Não fosse a participação de Carvalho da Silva e de Fernando Ulrich, no último programa...
Antena paranóica: A indigência dos concorrentes e a falta de chá dos jurados
A chocante violência verbal do júri do “Ídolos”, da SIC, para com os concorrentes foi repetida até à exaustão no “Projecto Moda”, da RTP1, que termina neste domingo com o beneplácito divino. Compreendo que seja um formato – que Moura dos Santos interpreta, aliás, superiormente – mas é também um mestrado de má-educação que se dá à nacional-boçalidade. Com ele, terá disparado o número de malcriados...
Antena Paranóica: Os saloios do "Preço Certo"
Em oito anos no ar, o “Preço Certo” lidera os tops de críticas arrasadoras que qualquer programa de TV possa ter tido, aqui ou em Marte. E com razão de ser, já que boa parte dos doutores que se dedica a esse tipo de análise pertence a um povo e os telespectadores pertencem a outro. Confesso que me interesso mais pelos atributos profissionais das assistentes do concurso da RTP1 do que pela...
