Alexandre Pais

Quando com 11 em campo sobram 13… ou as duas equipas do Man United

Q

Simples e grato até ao fim. Foi bonito ver Ole Gunnar Solskjaer dirigir-se à bancada do estádio do Watford onde se encontravam os desiludidos adeptos do Manchester United – após mais uma derrota e a terceira goleada da época – e aplaudi-los pela última vez. Para já.

Mais bonito ainda foi termos visto o nobre gesto de Bruno Fernandes, a contestar os apupos de alguns radicais a Solskjaer – autor de um golo célebre ao Bayern, aos 90+3’, que ‘deu’ a Champions de 1999 ao United, e lenda do clube – e a apontar para os jogadores, responsabilizando-os também pelos maus resultados das derradeiras semanas. Pura poesia.

O problema é que se trata de futebol e o futebol, como qualquer outro negócio, vive dos objetivos que são ou não são cumpridos. E a realidade é que em três anos em Old Trafford – onde regressou para substituir José Mourinho, despedido por somar apenas sete triunfos em 17 jogos da Premier League, em 2018, mas que alcançara três títulos – o melhor que Solskjaer conseguiu foi chegar a uma final da Liga Europa e perdê-la nos penáltis. Há seis meses.

Mas não foi esse insucesso que impediu os irmãos Glazer de continuarem a apostar no reforço do plantel, colocando sobre os 320 milhões de euros já gastos na era Solskjaer, mais 140 milhões, com as contratações de Varane, Jadon Sancho e Cristiano Ronaldo. E no sábado, com os 11 titulares em campo, prontos a enfrentar o Watford – de Claudio Ranieri, veja-se como o italiano mudou a equipa e a pôs a jogar! – era este o ‘treze’ do MU que seria possível formar com as ‘sobras’: Heaton; Dalot, Varane, Bailly e Alex Telles; Fred, Van de Beek e Pogba (ou Mata); Greenwood, Cavani e Lingard (ou Martial). Com o treinador certo discutiam o título!

Por muito que custe a Bruno Fernandes e a outros companheiros, o técnico norueguês deixa o clube pelo menos um mês depois do que seria de esperar. Com cinco vitórias em 12 jogos – uma (!) nos últimos sete – o United está no oitavo lugar, a par do Brighton, a 12 pontos do líder Chelsea e com a terceira pior defesa da Premier. E quando assim é, não há poesia que resista, grande Bruninho.

Tenho um gnomo aqui no meu ombro a segredar-me que nos vai calhar a Polónia no ‘playoff’. Já lhe disse que vá agoirar para outro lado, não temos defesa para segurar o Lewandowski, mas ele lembra-me que os polacos têm como selecionador o Paulo Sousa.

Uma palavra para o caráter da criatura que proibiu fisioterapeutas do Benfica de prestarem assistência a Luís Filipe Vieira. Que Rui Costa não tenha dúvidas que um dia lhe farão o mesmo… se puderem! Um miserável nunca perde uma oportunidade para o exercício daquilo que o faz sentir-se vivo.

Parágrafo de fecho para a desgraça que foi aquele torneio de hóquei em patins que aconteceu em Paredes, com jogadores a caírem na tentação de contrariar a verdade desportiva e o público a descarregar frustrações de outra índole e a culminar a sua ‘brilhante’ participação assobiando o hino nacional de um país amigo. Que vergonha!

Outra vez segunda-feira, Record, 22nov21

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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