Alexandre Pais

Nuno, o reinventor

N

Sinto-me dividido quanto à contratação de Nuno Espírito Santo pelo FC Porto. Por um lado, alinho com a estranheza de alguns – e a falta de entusiasmo de quase todos – pela escolha de um técnico de currículo modesto, arrancado ao desemprego e ferido pela calamitosa passagem pelo Valencia, embora, verdade se diga, os seus sucessores não tenham feito melhor. E também pela velha teoria de que os guarda-redes nunca deram grandes treinadores, como Lopetegui confirmou.
Por outro lado, parece-me adequada a opção por um homem da casa, amarrado para a eternidade ao conceito “somos Porto” e com capacidade, como disse António Oliveira, para “reinventar o FC Porto” e “devolver a mística ao clube”, e para tirar, penso eu, o máximo partido dos jogadores sem os pôr contra si – um clássico que já arrastou para a cova tantas sumidades técnicas. E ainda por alguma arrogância a marcar uma relação difícil, a de Nuno Espírito Santo com a comunicação social, “qualidade” que a cúpula portista sempre valoriza.
Claro que a questão é mais profunda, meterá uma administração dividida, a submeter-se ao líder, e um “reaparecimento” de Jorge Mendes na quinta do Dragão. Veremos até que ponto ajudará o empresário a substituir um plantel de egocêntricos por formigas talentosas e ávidas de jogar em equipa. Sem isso, continuará o “não somos Porto”.
Nota final: fiquei feliz pelo regresso de José Couceiro ao trabalho e pela rápida “reabilitação” de José Peseiro por parte do Sp. Braga, e enjoado com as críticas de Figo a Pinto da Costa – há que ter muita lata para esperar que alguém esteja na mó de baixo para lhe cair em cima. Que feio.
Canto direto, Record, 6JUN16

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

Arquivo

Twitter

Etiquetas