António
José Seguro saiu-se melhor que Passos Coelho no seu frente-a-frente com Vítor
Gonçalves. Bem preparado, o líder do PS resistiu à estratégia do jornalista,
que dispara perguntas sem deixar ouvir as respostas e sobrepõe a voz à do
entrevistado até o silenciar.
O
problema de Seguro é que é hoje mais difícil convencer espalhando ideias vagas,
para mais com a recordação fresca do que prometeu Passos Coelho para correr com
Sócrates, mentindo afinal como ele.
Mas
o director-adjunto de informação da RTP – que desconhece ainda o significado do
famigerado “despoletar”, calcule-se – sofreu efectivo revés na conversa com
Alberto João Jardim, velha raposa na arte da dialéctica, que não se calava mal
se apercebia da importância do que ficara por dizer.
A
técnica é antiga: o perguntador questiona o que quiser, o perguntado responde
ao que lhe interessa e regressa sempre ao tema que lhe convém. Bastaria que os
candidatos a feiticeiro vissem a “Quadratura do Círculo” e aprendessem. Se
conseguissem compreender a relevância da coisa, o que se duvida.
Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 22 setembro 2012