Alexandre Pais

A escolha de Costa

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As demissões em bloco dos chefes da urgência cirúrgica de Santa Maria – um hospital que é uma espécie de navio-almirante do SNS – constituem um sério aviso a um primeiro-ministro apostado na reeleição.

Marta Temido e Graça Freitas, pese a indesmentível coragem com que enfrentaram a pandemia, foram salvas da confusão com a entrada em cena de Gouveia e Melo, cuja capacidade de comando e de organização meteu nos carris um comboio desgovernado. Mas mal o viu pelas costas, logo a inefável dupla retomou a liderança plena, com ela regressando não só a bagunça no processo de vacinação como a feroz oposição do Partido da Ordem dos Médicos e do Partido da Ordem dos Enfermeiros.

Atento à navegação e com o faro político que o caracteriza, Paulo Rangel veio a terreiro interpretar o sentimento coletivo e pedir o retorno do vice-almirante e da ‘task force’ – hipótese que o próprio Gouveia e Melo rejeitou, com ‘recados’ demolidores.

António Costa está perante um dilema pesado. Ou se empenha em tapar os buracos na saúde ou terá, até 30 de janeiro, a maior oposição que conheceu em seis anos de governo: aberturas de telejornais a exibirem, dia após dia, o caos que deixou instalar nos hospitais. Agora, escolha.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 13nov21

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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