“As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam” – Madre Teresa de Calcutá, religiosa católica, Prémio Nobel da Paz 1979
Em Fevereiro de 2005, o então director-adjunto de Record, António Magalhães, meteu-se num voo de pesadelo: três horas de Lisboa a Amesterdão, mais 12 e meia até Jacarta, e outras quatro horas da capital indonésia a Banda Aceh, na ilha de Sumatra. Ele seria o primeiro jornalista português a falar com o pequeno Martunis, de 9 anos, e a levar-lhe o abraço de Portugal. O miúdo fora encontrado 19 dias após o devastador tsunami de 26 de Dezembro de 2004, a vaguear e a sobreviver de restos de comida, envergando apenas uma camisola da Selecção Nacional – a número 10, de Rui Costa – e tocando assim milhares de corações deste lado do Mundo.
Magalhães, nome apropriado, foi portador de uma nova camisola 10, essa assinada por todos os jogadores da Selecção, e ainda de um cheque com que a administração da Cofina quis contribuir para a construção de uma casa destinada à família de Martunis, que vira destruída a sua.
Tivemos ainda a ideia de lhe oferecer a camisola autografada de Luís Figo, então ao serviço do Real Madrid. Combinada a acção com o antigo futebolista, o jornalista José Carlos Freitas adquiriu a camisola. Mas à saída do treino dos merengues, no local onde se faria a assinatura, o Zé viu passar por ele, sem se deter, o carro de Figo. O craque esqueceu-se.
Decorrida uma década e já com Martunis na Academia do Sporting – integrando a equipa de sub-19 dos leões e vendo assim cumprido outro sonho de criança – aqui recordo a viagem extraordinária do António Magalhães e o simbolismo de um gesto que nos orgulha.
Parece que foi ontem, Sábado, 20AGO15
O dia em que encontrámos Martunis
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