Alexandre Pais

À volta, só tolinhos

À

A seguir ao ‘25 de abril’ fiz parte de uma comissão que se deslocou a instalações dos emissores da rádio oficial, a fim de verificar alegados desmandos na gestão do refeitório. E foi tiro e queda: sobre a secretária do poderoso lá do sítio, encontrámos um livro de faturas de um talho da região, fornecido ao chefe da traquitana para ser ele a preenchê-lo – de acordo com o que consumia e o que levava para casa.

O esquema não me era estranho porque já a vizinha de um amigo ‘convocava’, com orgulho, a malta do prédio para o seu apartamento, onde exibia arcas frigoríficas cheias de alimentos que roubava na unidade de saúde de cuja cantina era responsável. O gozo da criatura era ver os palermas esmagados pela abastança em que vivia.

Cinco décadas decorridas, recordei esses e outros episódios ao saber, pelo CM, da saga do casal ora detido por suspeita de ‘gerir’ refeitórios hospitalares fazendo falir as empresas, abrindo novas e criando assim mais falcatruas. Mas no meio de tudo, há uma dúvida que me assalta desde os idos de 70: quem abre alas a estes espertalhões? Ou à sua volta só há tolinhos?

Publicado no CM e no cm.pt em 21 de março de 2026

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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