Alexandre Pais

O eterno drama da Guiné-Bissau

O

(Crónica publicada em 26 de novembro de 2025 no site do ’24 Horas’, 24horas.pt)

Há cinco anos na Presidência, Umaro Sissoco Embaló, também ex-primeiro ministro, foi agora alegada vítima de uma situação recorrente na Guiné-Bissau: um golpe de estado. Desde que Nino Vieira foi brutalmente assassinado em sua casa, em março de 2009 – sem que até hoje os culpados tenham sido presos e condenados – a antiga colónia portuguesa já teve 16 (!) chefes de estado e passou por diversos atos de revolta com deposição de dirigentes democraticamente eleitos. Desta vez, parece ter sido o exército a rebelar-se.

Apesar disso, o Estado português tem gastado muitos milhões de euros em décadas de apoio – na saúde, na educação e mesmo na área da Defesa – a um território que não consegue manter um mínimo de estabilidade. Os cartéis da droga, que se infiltram facilmente nas estruturas de poder, tanto civil como militar, explicam em grande parte a ingovernabilidade de um país que é dos mais pobres do Mundo.

Recuo até junho de 1998, quando na redação do ‘24horas’ – na sua primeira versão, em papel – me apareceu um jornalista guineense que era portador de dezenas de fotos, obviamente ‘amadoras’, de Ansumane Mané, precisamente o líder do levantamento militar de dias antes e que poria fim às anteriores passagens de Nino pelo poder (desde 1980).

Ansumane – cujo rosto era então completamente desconhecido em Portugal – havia sido destituído de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas antes de uma viagem de Nino ao estrangeiro, situação habitualmente utilizada na Guiné para fazer ‘desaparecer’ figuras que se tornaram demasiado importantes e que de algum modo se revelassem hostis à liderança. Ansumane Mané dera o golpe para se proteger – e a revelação da sua imagem foi uma das primeiras ‘cachas’ do ‘24horas’!

Alexandre Pais

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

Arquivo

Twitter

Etiquetas