Alexandre Pais

O triste destino de Anabela Chalana

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Ainda não há um mês que Anabela Mateus, de 63 anos, partiu discretamente. Vitimada por um cancro, já pouco restava daquela mulher loura, vistosa e polémica mas indiscutivelmente forte, que partilhou, nos anos 80, a vida com um dos mais talentosos futebolistas portugueses: Fernando Chalana.
Mesmo numa altura em que mulheres e filhos dos jogadores eram ignorados pela imprensa desportiva, Anabela impôs-se pela sua personalidade, mantendo-se até hoje a dúvida: terá sido positiva ou negativa a sua influência na atribulada carreira do ex-marido?
Recordo uma capa do semanário Off-Side, de agosto de 1983, em que o extremo benfiquista surgia com a perna direita, que fraturara, engessada. E da entrevista em que, muito pelo feitio pão-pão-queijo-queijo de Anabela, a responsabilidade era atribuída ao corpo clínico do Benfica. A verdade é que Chalana faria a seguir uma boa época e um excelente Euro’84 – com Anabela a dar show nos bastidores – o que o levou a ser contratado pelo Bordéus. Mas as lesões impediram-lhe o sucesso em França, apesar de toda a dedicação da enfermeira-chefe Anabela nas sucessivas tentativas de recuperação.

No início de 1993, separaram-se e durante anos alimentaram a calhandrice nacional com queixas mútuas, podendo dizer-se que ocaso de um apagou o outro. E no final de maio último, ao desaparecer Anabela, foi também mais uma luzinha que se extinguiu na lenda do pequeno-genial e numa história de amor que começou a pintar de cor-de-rosa as páginas que antes eram apenas brancas.
Parece que foi ontem, Sábado, 21JUN17

Por Alexandre Pais
Alexandre Pais

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